quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"CORPUS FECHADUS"

Habeas Corpus - um filme de Debora Diniz e Ramon Navarro from Universidade Livre Feminista on Vimeo.

(Brasil, 2005, 20min. Direção:Debora Diniz e Ramon Navarro)

Comentários Wanderson Flor: O documentário acompanha o sofrimento de Tatielle, uma jovem mulher de Morrinhos, interior de Goiás. Grávida de 5 meses de um feto que não sobreviveria ao parto, um habeas corpus apresentado por um padre que sequer a conhecia impediu Tatielle de interromper a gestação. Já sentindo as dores do parto, Tatielle foi mandada embora do hospital onde estava internada em Goiânia. De volta para Morrinhos, Tatielle agonizou cinco dias as dores de um parto proibido pela Religião e pela Justiça.

fonte: DocVerdade

domingo, 14 de novembro de 2010

O BRASIL ATRASA O NORDESTE


Meu povo, depois da enxurrada preconceituosa com que o Centro-Sul do país e a “grande imprensa independente” do Brasil tratou a vitória de Dilma, culpando o Nordeste pela manutenção do PT no governo, justamente pelo fato do povo de lá “viver” de políticas publicas sociais do governo que, como todos sabem, “criam” uma grande massa de vagabundos no país, acho que o melhor mesmo é que o Nordeste se liberte do Brasil e, se der, levar o meu Acre junto. Sei lá, a terrinha seria uma espécie de posto avançado da Nordestânia (está bom, podemos pensar num nome melhor) na América Latina quem sabe.

Mas acho melhor mesmo é abandonar o barco, como já dizia o menestrel pernambucano Ivanildo Vila Nova e pelo paraibano Bráulio Tavares já há algumas décadas atrás.

domingo, 31 de outubro de 2010

GRÂNDOLA, VILA MORENA




Há pouco conheci a música Grândola Vila Morena através de um amigo de trabalho. Ao tocá-la no violão, ele contava que ela havia sido tocada na Revolução dos Cravos em Portugal em 1974, dando inicio ao levante do MFA (Movimento das Forcas Armadas) que depôs o regime salazarista depois de 41 anos de ditadura.

Além da música ser muito boa, a história dela me deixou muito curioso e fui atrás de saber mais. Descobri que a canção foi composta e cantada pelo cantor português Zeca Afonso em 1971, sendo logo censurada pelo governo ditatorial, que a relacionou com o comunismo. Ela, às zero horas e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, foi transmitida na Rádio Renascença como o segundo sinal do inicio da Revolução.

O primeiro sinal foi a música “E depois do adeus” cantada por Paulo de Carvalho, que foi tocado cerca de hora e meia antes, às 22 horas e 55 minutos do dia 24 de Abril.

Desde então, Grândola, Vila Morena ficou associada ao início da Democracia em Portugal. Sua letra refere-se à fraternidade entre as pessoas da vila de Grândola, no Alentejo

A musica foi gravada por diversos cantores no mundo todo. Aliás, existe uma gravação com a Amália Rodrigues que é belíssima. No Brasil, Nara Leão a gravou na década de 70 em um compacto simples... ficou muito bom também! Em 87, a banda de rock paulista 365 a gravou também. E foi nessa versão rockeira que a conheci.

Mas enfim meus amigos, de qualquer forma que for gravada ela é de arrepiar, ainda mais quando conhecemos sua historia, vinda de um tempo em que os lados estavam claros e as canções ainda tinham um papel de transformação da sociedade.

GRÂNDOLA, VILA MORENA

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade


Dentro de ti, ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena


Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade


Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada rosto igualdade

O povo é quem mais ordena


À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira

Grândola a tua vontade


Grândola a tua vontade

Jurei ter por companheira

À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CAMPANHA DO FUSO... VOTE 77



Não sei se vocês sabem, mas o Acre no próximo dia 31 irá votar pra presidente e para um referendo que decidirá de vez o horário da terrinha. Como sabem, dois anos atrás o Acre teve sua hora mudada pela Globo e pelo Tião Viana na caneta sem consultar ninguém.

Por questões políticas e pressão social, estabeleceu-se que teremos uma consulta popular para definir o fuso confuso acreano. E como não é sempre que se tem um referendo pra definir um fuso, vejam ai o vídeo da campanha do Voto não! Eu quero minha hora de volta e voto 77!

Ai que vontade de estar no meu Acre no domingo pra votar.....

domingo, 24 de outubro de 2010

DAS MARGENS DA HISTORIA ÀS MARGENS DO PURUS... (legendado)



O filme conta a história dos seringueiros na floresta amazônica a partir da vida dos moradores da Reserva Extrativista Arapixi. Desde a sua vinda do Nordeste brasileiro onde sofriam com a forte seca e a intransigente cerca dos latifúndios brasileiros. Na Amazônia esse sertanejo não encontrou uma sorte melhor. Produzindo borracha nos mais distantes lugares na grande floresta, o seringueiro, segundo palavras de Euclides da Cunha, "trabalhava para escravizar-se". A partir da lógica cruel da renda a ser paga ao patrão, o seringueiro vivia constantemente endividado sem poder se libertar. Com a decadência da economia do látex e a saída do patrão da floresta, o seringueiro ficou abandonado a própria sorte na floresta. Cada vez mais foram se transformando em pequenos agricultores e, apesar dos pesares, ainda gostam da floresta onde vivem.

O documentário foi realizado a partir de imagens capturadas por câmeras amadoras e seus vídeos fazem parte do acervo da Unidade. Ao analisarmos todo o material (mais de 10 horas de vídeo), observamos que tínhamos uma história para contar. E foi o que fizemos. Mais do que um vídeo institucional da Reserva, o vídeo é um registro desses bravos moradores da floresta que se mantêm firmes em suas terras, em busca de melhores condições de vida conciliando com a conservação da natureza. Seu título é uma referência a obra póstuma do escritor brasileiro Euclides da Cunha, Às Margens da História, que retrata em seus textos a expedição que fizeram ao longo do Rio Purus no inicio do século XX.

E atendendo o pedido da Tati, o filme agora esta legendado. Ai Tati... tai o que você queria




terça-feira, 12 de outubro de 2010

OPERAÇÃO PANDEMIA (2009)



Operacao Pendemia (Argentina, 2009, 9min - Direção: Julián Alterini)

O documentário argentino nos mostra claramente o que estava por trás da campanha midiática que se fez com a gripe Suína, e as relações do governo George W. Bush na venda do Tamiflu.
Medo e o pânico a serviço do capital!

Ah! E não perca a oportunidade de ver o nosso excelentíssimo ex-ministro da Saúde explicando como se combate a gripe suína....que bunitinhu!

O INIMIGO É OUTRO




Absolutamente imperdível esse depoimento de um soldado estadunidense recém regresso da guerra. Não deixem de ver.
Aproveitando o mote do Tropa de Elite II, o inimigo muita vezes te sorri e lhe passa a mão nos ombros. Foi isso que o soldado foi descobrir no Iraque!.
O lucro é o objetivo e sua vida não vale nada!

(clicando no filme voce entra no site do YouTube e consegue ver o filme sem estar cortado)

domingo, 10 de outubro de 2010

O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO E O RESULTADO DA ELEIÇÃO

Pois é pessoal, pior que estava, ficou. Ao contrário do que dizia o bordão do Tiririca, piorou muito e não foi por causa do palhaço campeão de votos. Como tudo isso aqui é uma enorme Sucupira, veio o segundo turno pra nos colocar no nosso devido lugar na evolução política e nos situar devidamente no país em que vivemos: ainda na Idade Média.

Com dois políticos com uma proposta de governo muito similar, ou pelo menos da garganta pra fora (ou alguém é contra mais educação, mais saúde, mais infra-estrutura, bla, bla ,bla?), surge o assunto que irá definir a eleição pra Presidente em 2010: o preconceito e a caça as bruxas conservadora do “neo-religiosismo”, que afunda o pais na discriminação social, de raça, cor, opção sexual entre outros temas que nos fazem reviver os tempos áureos da Inquisição em pleno Segundo Turno eleitoral.

E um desses aspectos é o tema do aborto. Pois é, não se iludam, Serra e Dilma têm a mesma posição sobre o assunto, ou seja: vamos discutir o assunto. Mas como, pasmem, 80% da votação da Marina foram de evangélicos (“onda verde” é o escambau) e a cada dia mais gente vem “encontrando Deus” (esse Deus aí já perdi e nem quero achar!), vimos ressurgir um discurso raivoso, preconceituoso, terrorista que faz Dilma e Serra caírem na cilada fundamentalista e irem a TV pra mostrar quem é mais contra o aborto do que o outro.

Pra ilustrar um pouco o estado das coisas no país hoje, abaixo há uma homilia de um tal padre José Augusto da Canção Nova absolutamente absurda, carregada de rancor, preconceito, raiva, terrorismo, medo... em nome de Deus, é claro!

Ai você imagina aonde a gente chegou: agora pra gente atacar o Serra, vamos ter que dizer que ele aprovou as principais ações pró-aborto no país, como se isso fosse necessariamente ruim. Meu Deus, sai daqui que o Senhor ta atrapalhando!

Os aiatolás do Irã devem estar morrendo de inveja de como o Brasil esta conseguindo implantar, em pleno mundo ocidental, o fundamentalismo religioso tão caro a eles.

domingo, 3 de outubro de 2010

HISTÓRIAS ÚNICAS E ESTEREOTIPOS



Pessoas, a fala que faço questão de colocar acima é da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Apesar de ser um pouco longa (18 min), faz muito bem ser vista por todos nós que de alguma forma lutamos contra as histórias únicas que nos são contadas e muitas vezes pouco refletidas, criando estereótipos que só nos turvam a vista e pouco explicam. Belíssimo depoimento vindo do nosso continente mais estereotipado.

"A única história cria o estereótipo. O problema do estereótipos não é que eles sejam mentira, mas sim que são incompletos".

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ESSE POVO DE DEUS É UMA BENÇA


Caminhando pelo Canal da Maternidade em Rio Branco, dei de cara com essa frase pichada no muro que tive a curiosidade de fotografá-la e que está logo ai acima. Pois é, me incomodou! Apesar de não ser homossexual (sem piadinha ok?), me senti agredido na minha liberdade de ver as coisas libertas.

Não é possível que hoje em dia ainda tenham pessoas que se afirmem na sua religião, negando o direito do outro. Como assim? Que povo de Deus excludente é esse? E não me venham dizer que a religião cristã não concorda com o casamento homossexual e por isso se posiciona contra. E daí? Quem lhes deram o direito de agredir o direito dos outros? Que eles resolvam os seus recalques com os gays nos seus quintais, mas pra longe do pastor, o negocio tem que ser diferente.

Me perdoem o exagero, mas esse mesmo tipo de raiva homofóbica tem as mesmas raízes excludentes que perseguiu (ou perseguem) os judeus na Alemanha, os curdos no Iraque, os palestinos em Israel entre outro inúmeros exemplos de afirmação de um grupo de pessoas encima do direito de outros.

No entanto (ah! esse otimismo que me machuca), acredito que estamos perto do dia que essa frase nos soara tão anacrônica e sem sentido como esse anuncio que coloco logo ai abaixo. Uma tia minha muito querida, formada em “história pela sua curiosidade”, encontrou esse anuncio datado da década de 1870, nos arquivos de uma biblioteca de Itajubá. O mesmo trás a oferta de uma escrava própria para “ama de leite e todo o serviço” com dois filhos (um deles ingênuo, como se chamavam os escravos libertos pela lei do Ventre Livre-1871). Quem faz a oferta é um tal de Manoel Dias Pereira, que muito provavelmente era um cristão “temente” a Deus.

Pode parecer exagero comparar o escravismo com o os direitos civis dos homossexuais mais de 130 anos depois. Mas não se enganem, nasceram de uma mesma cristandade sem noção e nada cristão.... né não?

domingo, 12 de setembro de 2010

É A NOSSA CARA!



Pois é, quando o Tiririca foi pra televisão avisar que votando nele "pior que está não fica" e dizendo que não tem a menor idéia do que um deputado faz, muitos se revoltaram com frases manchadas do tipo "isso é um deboche contra a nossa democracia", "é um absurdo um candidato como esse", entre outras colocações mal humoradas.

Ai, aos puristas, eu pergunto: e a nossa tal democracia merece coisa melhor? Meus amigos acordem: o Tiririca é a cara da nossa democracia. Lendo uma entrevista dele você percebe que ele é aquilo mesmo: um palhaço (no melhor sentido da palavra), captado por um partido oportunista buscando milhões de votos para eleger seus outros palhaços (no pior sentido da palavra), que tenta com a sua popularidade se eleger e conseguir sua "boquinha". Pelas suas palavras, você percebe que o papel dele na eleição é ser divertido.

Sua postura caricata pedindo o seu voto, não é carregada de nenhuma critica bem humorada que seja ao sistema politico brasileiro. Ele encara o seu papel ali como legitimo e acha, realmente, que por ser divertido pode "ajudar os mais necessitados... inclusive sua familia" (ahahaha! Mó engraçadão né!).

No entanto, mesmo não querendo, ele joga nas nossas caras que essa nossa "democracia" é isso ai: brincadeira de palhaço (nos dois sentidos da palavra).


Em tempo: o Romário está se candidatando a deputado federal no Rio. Alguém avisou pra ele que Brasilia não tem praia?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A VELHA MONTANHA E EU


Meus amigos, da série “Eu não podia deixar de me despedir no Acre, sem nem mesmo ter conhecido antes” eu falo ainda estupefato da maravilha que tive o prazer de conhecer a pouco: Machu Pichu.

As ruínas Inca, pra nos acreanos é uma espécie de Cabo Frio para os cariocas: é logo ali. Aqui no feriadão, a gente vai é pro Peru (ui!....te mete com a gente!).

Meus amores, não passem por essa vida (me permitam o exagero) sem ter o prazer de conhecer Machu Pichu. É uma viagem absolutamente em conta (seja de onde você sair do Brasil) e Maravilhosa!

Definitivamente, apesar dos seus absurdos, o SER HUMANO É MUITO FODA! Como construir uma cidade a 2800 metros de altitude, manuseando milhões de toneladas de pedra no século XV?

Ta ai, uma viagem que poderíamos pensar em fazer juntos... o Fidel já falava nisso na faculdade. Reunir uma turma legal e viver aquilo.

Curtam um pouco disso tudo... e ai, vamos?

Colocando Machu Pichu em seu lugar...





domingo, 29 de agosto de 2010

EVANGELHISMO DO SEM SAÍDA


Fudido por fudido, quem se importa o que ocorreu...
Tu vai "alcançar a tua graça", mas 30% é meu!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INCENSO DO MUNDO


Já há algum tempo tive a oportunidade de ver o vídeo de uma palestra do líder seringueiro Chico Mendes na PUC do Rio de Janeiro em 1987, moderada por Carlos Walter Porto Gonçalves, um professor querido que tive o prazer de ter na minha graduação. No inicio da gravação Carlos Walter relatava sua dificuldade e a do Chico de chegar ao Rio de Janeiro naquele ano, em razão da fumaça ocasionada pelas queimadas na Amazônia, que provocavam o fechamento dos aeroportos.

Em setembro de 2003, quando acabava de chegar ao Acre e até aquele momento ainda não vira a floresta, escrevi numa crônica onde num trecho dizia:
"E foi respondida a grande questão do acreano que vos fala: encontramos a Amazônia! No momento ela está voando em cima da minha cabeça! Olha lá, aquela fumacinha deve ser um cumaru ou um jatobá! Já tem gente querendo manejar fumaça, pensando que é manejo florestal.... é rir pra não chorar! Pelo amor de Deus, alguém joga água nesta fogueira! Vocês precisam ver, de noite a lua fica laranja com aquela névoa de fumaça horrorosa. Maior clima de boate e os pilantras incendiários cantando: "Tô nem aí! Tô nem aí!" Aí, vem o meu amigo bêbado, vendo a lua laranja, aquela névoa toda e me diz: "Aí Felipe, olha que loucura, estão fumando a Amazônia!" De maior floresta, virou o maior maço do mundo.... caminhando e queimando nóis vai defendendo a floresta.”


Aí eu pergunto: o que mudou de 87 e 2003 para hoje? Nada, rigorosamente nada, eu te respondo. Há pelo menos 23 anos defumamos o mundo, queimando a Amazônia, e nada é feito para mudar essa realidade. Ah! E se anteriormente falei que nada mudou, minto: piorou. Esse ano foi igualado a estiagem recorde do ano de 2005, onde a chuva, somados os meses de junho, julho e agosto, chegou a apenas 31,5mm. Pra se ter uma idéia, no mesmo período em 2009 choveu 100,7mm.


Então você imagina um clima extremamente seco, com uma fumaça de marejar os olhos, provocando diversos problemas respiratórios? É assim que grande parte do Acre e Rondônia se encontra no momento. Os aeroportos de Porto Velho e Rio Branco invariavelmente vêm fechando por algum período, todos os dias, em virtude das fumaças. Respirar na Amazônia hoje, se não fosse tão vital, não seria nada recomendável.


Enquanto tudo vira cinza, a briga que “vale” mesmo é saber de quem é a fumaça: “Não, do Acre não é... Deve ser de Rondônia” “Isso é coisa do Mato Grosso” “Que nada, é da Bolívia”. Cada um empurra a fumaça pra debaixo do Estado do outro e nada se resolve.


Olhando isso é que ainda reafirmo a questão: o que queremos mesmo da Amazônia? Não vale brincar com as palavras dizendo que é preciso preservar o “pulmão do mundo”, blá, blá blá. Algo original vai... ou você já encontrou alguém que seja contra a floresta e o meio ambiente?


Pois é, enquanto tratarmos o meio ambiente e a Amazônia apenas com palavras de ordem, sem ações que de fato contenham o avanço da destruição da floresta e dos demais ecossistemas (porque não cortam o financiamento com dinheiro de banco público de quem destrói, por exemplo?), estaremos fadados a passar de pulmão para o incenso do mundo. Quem sabe não “energiza” o ambiente, né?


*publicado originalmente, em agosto de 2010, na revista eletrônica Verbo 21 na Coluna Verde Que Te Quero Verde (www.verbo21.com.br)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

VERDADES DEFINITIVAS DE UM TEMPO TRANSITÓRIO XX

Alguém dúvida?
O Brasil não faturou a Copa de 2010 mas vai superfaturar a de 2014

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Vô Paixão
24/11/1922 - 30/07/2010

Meus queridos, eu tenho um avô absolutamente fundamental na história da minha vida e da minha família. No ultimo dia 30 ele faleceu e deixou lembranças e um carinho inigualável. Não sei exatamente se aqui seria o espaço de colocar essa homenagem que fiz a ele em seu velório (talvez o melhor seria no blog do Diário). Mas como o Picaretas está carente de assunto, coloco por aqui mesmo. Só pra situar vocês: o meu avô tinha o apelido de Paixão e morava numa cidadezinha pequenininha do sul de Minas chamada São José do Alegre. Viva o Paixão!

Quando a família do Paixão se reúne é sempre para celebrar. Em geral é no Natal e isso é muito presente nas nossas vidas: quando juntos estamos, celebramos. E hoje mais uma vez todos reunidos... não poderia ser diferente. Celebremos o meu vô Paixão.

A história do meu avô sempre soou pra mim como um épico. É a partir dessas histórias contadas a mim que minha vó Dita e o vô Paixão se transformaram em verdadeiros heróis.

Década de 50 / São José do Alegre / TRABALHO / homem do campo/ sem dinheiro / humilde / TRABALHO / casamento / prefeito / caminhão / TRABALHO / 8 filhos / TODOS formados / TRABALHO / dificuldades financeiras / família unida.

Esse pequeno enredo resumido é o meu lastro, a minha bandeira que carrego com orgulho.

Muitas vezes tive dificuldades de entender a fala do vô Paixão. Ele tinha uma dicção difícil de compreender. Lembro de um dia, talvez já adolescente ou quem sabe já no início da faculdade, que eu resolvi observar o meu avô com mais atenção. Ele na roça plantando arroz, tocando o gado. Ele no quintal, sobe escada, desce escada, mexe dali, conserta daqui... sempre trabalhando. Incansável. Lembro, como hoje, nesse exercício de observar mais atentamente o meu avô, de chegar a seguinte conclusão: “Olha só! Por isso que o meu pai é assim”.

Pois é. Foi observando o meu avô que eu entendi o meu pai e mais: percebi que, com o vô Paixão, tudo o que ele passou para seus filhos e netos foi muito mais através do exemplo, da honradez, da ação do que pela palavra. Apesar de sua pouca intimidade com a palavra escrita ou falada, podemos dizer que no lidar, no trabalho, na humildade, na perseverança e no exemplo o meu vô era um poeta!

E apesar de sua imagem muitas vezes simplória, definitivamente, o vô Paixão não veio ao mundo a passeio. Ele com certeza é de um certo grupo de seres humanos, raros hoje em dia, que tiram de tão pouco e constroem grandes coisas. Fora seu legado para o Alegre, talvez a sua maior construção, em conjunto com a vó Dita, foi a nossa família. Se hoje somos o que somos, devemos muito ao amor e a persistência conjunta do Vô Paixão e da Vó Dita.

Pois então, é por isso que o orgulho de se neto do Paixão vem junto com a responsabilidade de ser neto do Paixão. Ser neto do Paixão, pra mim, é item de Currículo... Já imagino inclusive o empregador analisando a minha experiência e vê lá... “Hummmm! Esse é neto do Paixão. Deve ser bom e trabalhador... e um pouco teimoso.”

E hoje quando nós dizemos um “até mais” ao vô Paixão, eu prefiro celebrá-lo. A vida como a conhecemos padece... não tem jeito. E melhor mesmo é quando a ordem natural das coisas se impõe. Ela é soberana. Filhos se despedindo dos pais é a regra e que assim seja.

Pra terminar, tem uma frase que eu aprendi com um morador da floresta muito parecido com o meu avô, que diz mais ou menos o seguinte (os erros gramaticais são genuínos): “O mundo é duas porta: saber entrar e saber sair. Se ele entrar e não saber sair, lá na frente tá trancado, é igual a boca de um peixe. Ele não sai de lá nunca.(...) Se saber entrar e tratar as pessoas ele vira o mundo inteiro. O mundo inteiro.”

Por isso, peço que celebremos o meu avô que soube entrar e sair de nossas vidas deixando um rastro infinito de exemplos e amor. Hoje o mundo é seu Paixão!
Missão comprida e cumprida.
Vá com Deus!

Felipe Cruz Mendonça, 3º. neto do Paixão, filho do Marcelo
30 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

NÃO É GOL... É SONHO!

Copa do Mundo é sempre muito legal. Até quando ela é de futebol ruim, como essa que acabou, ela é muito legal. E essa teve dois episódios épicos ao meu ver. A primeira por ter sido na África com todo o seu simbolismo que não é necessário me alongar por aqui pra explicar. A outra, que me emocionou, foi o gol do Iniesta aos 10 minutos do 2o. tempo da prorrogação que deu o primeiro título de Campeão Mundial para a Espanha.

Me permita justificar esse último ponto: o futebol para nós homens é sonho de criança. Mesmo que a paixão pelo esporte vá esfriando a medida que vamos crescendo, não duvide que pra cada 10 homens bem sucedidos que você pergunte hoje se trocariam tudo pra ser um jogador de sucesso, 8 respondam que trocariam. Tá no imaginário, tá no sangue e na flor de pele.

E dentro do imaginário coletivo, que menino, como a gente, nunca chutou aquela bola que o espanhol acertou? Quem que algum dia correu atrás de uma pelota não teve o sonho de fazer o gol decisivo de final de Copa do Mundo, no final do jogo, dando o título pro seu país?

Pois é! Aquela bola já foi chutada por muitos. É o gol mais feito da história e apenas um foi real.

sábado, 19 de junho de 2010

AMOR DISSONANTE

Acompanhar e comentar a cena musical do Brasil e do mundo há tempos é trabalho de muitos jornalistas e apaixonados. A internet e sua façanha de proporcionar o acesso a “todos os sons do mundo”, fez com que ainda mais hoje se consuma música de todos os paises dessa enorme aldeia global.

Sons antes pouco acessados pela sua raridade e obscuridade, hoje estão disponíveis na grande rede para o acesso de todos. Sites e blogs especializados nascem na internet diariamente para “dar conta” de tamanho volume de informações, juntando tribos inteiras espalhados no mundo.

Entre esses canais especializados da musica, vem ganhando destaque nos últimos anos o blog Amor Louco. Conduzido pelo geógrafo carioca Tadeu Beirão (um dos nossos Picaretas) e o filósofo baiano Miguel Ângelo, o blog explora diferentes sons do mundo inteiro, obscuros ainda hoje, e que pouco é acessada pela grande mídia. Com mais de mil acessos diários, o Amor Louco vem conseguindo reunir uma tribo de apaixonados no mundo inteiro por ramificações nada populares do rock e outras expressões (ou artistas) pouco ouvidas.

Os Picaretas fizeram essa bate-papo que segue com o Tadeu e Miguel onde os mesmos explicam suas motivações musicais.

Picaretas – Como surgiu a idéia de criar o blog e de onde veio o nome “Amor Louco”?

Miguel (M) – Bem, na verdade tudo começou no dia em que fui apresentado ao Tadeu e a partir do momento em que passei a ler suas críticas musicais no blog dos Picaretas. Realmente tínhamos o mesmo gosto e achava que o Tadeu tinha quer ter um espaço para ele divulgar suas críticas musicais. Então coloquei a idéia de um blog na cabeça dele (não sei até que ponto ele já a tinha em mente) e fui viajar. Quando voltei, ele me mandou um e-mail dizendo que tinha criado um blog chamado Amor Louco e, se quisesse participar, as portas estavam abertas. Fiquei receoso no momento e entrei, inicialmente, apenas como colaborador, indicando bandas e fazendo um “marketing agressivo” para divulgar o blog. Hoje colaboro postando também e atendendo a pedidos, dentro do possível, e acho que estamos numa sintonia e dinâmica bem legais.

Tadeu (T) – Nasceu dessa forma que o Miguel comentou. Eu sempre gostei muito de música, de ouvir, ler, falar e escrever. Lembro que quando comprava umas fitas VHS com alguns shows sempre escrevia algo sobre o que rolava na fita e colava na capa, tipo “crítico musical”. O Blog foi a facilidade (da internet) de fazer isso de uma forma mais “real”. Trocar idéia sobre música, esse é o objetivo, escrever e ter resposta. O nome veio dessa paixão pela música e de uma conexão com o tipo de música que estaria ali, o Fellini (banda queridíssima) tem um disco chamado “Amor Louco”, aliás foi o primeiro disco postado.

Picaretas – Como podemos classificar o estilo musical das bandas apresentadas no Amor Louco?

(T) – Não podemos classificar. Claro que você encontra um número maior de referências Shoegazer, Pós-Punk, Dreampop e afins, mas nada impede de você dar de cara com um disco do Walter Franco (MPB) e segundos depois achar algo do Ministry (Industrial, Hardcore)... procuramos deixar claro a “linha dos discos”, mas o blog é livre.

(M) – Os estilos são anunciados em cada postagem. A nossa linha é o Shoegazer, mas procuramos trabalhar e divulgar outros estilos do rock (indie, pós-punk, britpop, new wave, eletrônica, pop, etc.), não fazendo discriminação de país e nos concentrando no cenário musical mundial do final dos anos 70 para cá.

Picaretas – Muitas das postagens no blog são de bandas na linha do Shoegazer. Vocês poderiam nos contar um pouco de onde nasceu, a história, e as influências deste estilo musical?

(M) – Bem, minha geração é aquela que se nutriu com a música dos anos 80. Passei minha adolescência ouvindo e comprando os vinis de bandas como The Cure, Happy Mondays, Pixies, Smiths, Cocteau Twins, My Blood Valentine, Jesus and Mary Chain, Vizyado Moe, Pin Ups, Defalla, Maria Angélica, Black Future, entre muitos outros. Quando ouvi, em 89, o primeiro álbum do My Bood Valentine (“Isn't Anything”), fiquei encantado com esse barulho todo. Mas quem realmente já tinha me deixado perplexo foi Jesus and Mary Chain com "Psychocandy", que é de 85. Salvador naquela época tinha apenas alguns guetos para se comprar e curtir esse som. O que gosto no Shoegazer, que começou na Inglaterra nos anos 80, é a alta distorção das guitarras em meio às vozes etéreas, criando uma sensação de pleno vôo. Hoje me interessa muito esse tipo de música feito em países asiáticos.

(T) – Pois é, o Miguel é um pouco mais velho que eu, vivenciou coisas no exato momento que eu só pude conferir correndo pelos sebos aqui do Rio. Meu primeiro contato com o Shoegazer foi em uma matéria da extinta revista Bizz (em 1991 eu acho). A matéria dizia que literalmente Shoegazer significava “fitar os sapatos”, isso em função das letras tristonhas e do estilo cabisbaixo de se encarar o público, e o mundo de uma forma geral (por isso olhavam para os sapatos), a microfonia e os vocais soterrados em muralhas de guitarras seriam uma espécie de “proteção”... Sorte a nossa.

Picaretas – Como as novas mídias vêm transformando a cena musical no mundo, em especial, os estilos musicais que vocês privilegiam no blog?

(M) - A Internet tem nos ajudado muito a conseguir bandas que nem imaginávamos ouvir algum dia. Os trabalhos mais independentes ganharam a possibilidade de estarem aí para qualquer um e acho isso muito positivo. Mas, por outro lado, os problemas com as grandes gravadoras aumentaram. Vejo o blog como uma ferramenta de difusão da música, do rock que nos interessa. Se um artista pede para retirarmos o link, será atendido imediatamente, mas, caso contrário, estará lá para todos. Não visamos lucro algum, mas apenas mostrar para o mundo o que curtimos. E se o blog é um bom canal para as bandas novas, das quais gostamos, que a música seja livre. Não acredito no império da dominação musical. Daí a minha curiosidade por querer saber, em termos de Shoegazer ou de “música obscura”, o que acontece na Ásia.

(T) – Tem banda que não lança nada físico, só pela internet. O que não é necessariamente legal, afinal mesmo com esse turbilhão de coisas on-line continuamos gastando bastante dinheiro mensalmente comprando discos. Agora é claro que ficou mais fácil a divulgação, o romantismo pode ter diminuído, mas é fantástico você poder ter discos que certamente você não conseguiria por um preço minimamente justo. Ainda mais nessa área underground, mais obscura, a divulgação era raríssima e ter material de algumas bandas muito difícil.

Picaretas - Dá pra dizer que os estilos musicais ditos obscuros são mais populares hoje do que uma década atrás em função da popularização da internet? Tem se mantido a mesma qualidade musical nesse novo cenário de exposição?

(T) – Não sei...você vai num show aqui no Rio e encontra meia dúzia de pessoas. Antes tinham mais, mesmo com uma divulgação menor. Não sei exatamente se essa facilidade significa que tenha se tornado mais popular, continuo sem achar no meu dia-a-dia quem goste desse tipo de música, continuo sofrendo pra achar os discos, continuo sem ouvir rádios, pois elas não tocam esse tipo de música, as revistas acabaram. Acho que mesmo com o boom na internet (indiscutível) esses outros “lados” deviam caminhar juntos, caso fossem mais populares. Quanto a qualidade, ontem e hoje existem coisas boas e ruins, é só procurar.

(M) – Diria que a qualidade musical é outra e muita coisa boa e ruim estão surgindo. Com a Internet a popularidade aumenta com certeza, mas o interesse nas bandas é mais fútil e passageiro. A alegria e o prazer de receber um vinil ou cd em casa via correio está sendo cada vez mais uma sensação descartável. É preciso ter cuidado com a facilidade oferecida pela Internet. A divulgação pelos blogs é um meio de facilidade, não nego, mas tudo depende das complexas relações entre mídia, bandas, gravadoras e público.

Picaretas – A disponibilização sem custos dos álbuns que vocês postam na internet vem sendo a grande dor de cabeça das gravadoras que sobrevivem de vender discos e ainda não se adaptaram a essa nova realidade. A disponibilização na internet passou a ser o único caminho? Como vocês vêem o futuro dos álbuns de música?

(T) – Você tem que diferenciar essas gravadoras. Os discos que “somem” do Amor Louco são os discos de gravadoras como Warner, Sony e afins, ou seja, as grandes gravadoras, você acha que são os blogs que são os problemas pra essa gravadora? Cara, um cd nacional no Brasil é R$ 40,00, esse é o problema. Se a gravadora fosse esperta o blog seria divulgação. Eu e Miguel continuamos comprando cd. Agora se uma micro gravadora ficar chateada com o disco lá no blog nós tiramos, esse cara sim está sendo prejudicado, mas quase sempre o cara da pequena gravadora gosta, pois é divulgação. Não sei qual é o futuro, sei que vou continuar consumindo e curtindo. Espero que tenham qualidade, só isso.

(M) – Para mim, o futuro dos álbuns não é o vinil, não é o cd e nem as mídias digitais, mas aquele que você preserva para si mesmo. Há pessoas que não largam o vinil por nada, outras preferem o cd, outras o mp3, mp4, flac, etc., com seus pen drivers. O importante é não perder a sintonia mágica provocada pela música, da qual acredito e cultivo nas minhas coleções, seja em vinil, cd ou música digital.

Picaretas – Como é essa pressão que vocês sofrem de algumas bandas ou gravadoras por postar os seus álbuns no blog?

(M) – Quando postamos algumas bandas alternativas de renome, fomos repreendidos. Então resolvemos dar uma linha mais “obscura” às postagens. De lá para cá, só duas ou três bandas pediram para retirar o link. Outras, nos mandam pelo e-mail do Amor Louco o álbum, a capa, e nos dizem: “Fiquem à vontade”. Se gostamos, divulgamos.

(T) – É isso. Algumas bandas pedem e tiramos, outras nem dão chances (quando são maiores) o blogspot já deleta e depois manda um comunicado dizendo que o blog pode “sumir” caso volte a acontecer. Mas no geral as bandas agradecem e mandam material.

Picaretas - Para finalizar, que inovações virão no blog Amor Louco?

(M) – Fizemos, por insistência dos amigos, o twitter do Amor Louco. O Tadeu lançou no blog a sessão Discografia, que achei o máximo. Talvez façamos algumas camisas para o pessoal mais próximo ao blog. O Amor Louco está crescendo cada vez mais (são mais de 30.000 visitas mensais!) e espero continuar esse trabalho prazeroso de divulgação do que gostamos de ouvir.

(T) – Essa coisa de “inovações” é com o Miguel... ele tem carta branca.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ADESÃO VOLUNTÁRIA... VAI QUERER?



Mais uma vez o tal do rombo da previdência toma a mídia. Claro que em época de Copa, toma muito pouquinho dela (afinal, futebol é coisa séria e mais importante, venhamos e convenhamos!). E o assunto volta a baila em virtude do aumento sancionado pelo Presidente para os aposentados no valor de 7,7%. O Guido Mantega e o Paulo Bernardo deram um pulo. Afinal, o tal do rombo da previdência vai aumentar ainda mais.

Mas eu sempre me pergunto: cadê essa conta? Eu queria ver onde está o rombo na tal previdência. Coisa simples, do tipo: o que é arrecadado menos onde é gasto. Será que a sua contribuição retirada do seu salário mensalmente é todo convertido na previdência? Confesso mesmo que tenho dúvidas. E outra: vá lá! Admitamos que realmente tenha o rombo. Ai eu pergunto: e daí? Desde quando política social tem que ter balanço financeiro positivo? Percebem? A Previdência Social é a maior política pública social que o Brasil tem. Beneficia uma grande parcela da população, aumentando inclusive o poder aquisitivo de muitas famílias. Eu diria até que o impacto dela nas populações rurais, por exemplo, é enorme. Vide o exemplo da Arapixi: as aposentadorias é de longe a política pública que mais beneficia essas populações. Uma família que tem entre seus membros um aposentado diferencia-se, a olhos vistos, em conquistas materiais das famílias que não possuem aposentados. Muitas dessas familias do campo e da floresta conseguem ascender financeiramente apenas depois de aposentados (o que é cruel depois de uma vida toda sofrida e de carência, diga-se de passagem)

Quem sabe o problema do rombo esteja na corrupção que esse dinheiro constantemente é alvo, fruto de aposentadorias abusivas, da "mão ligeira" de muitos "administrador" sobre tamanho recurso, entre outros desvios. Ai eu penso em outro aspecto: porque será que qualquer governo chia tanto pra dar aumentos irrisórios a aposentados e não faz o mesmo quando é pra aumentar salários de juizes, parlamentares, desembargadores e toda aquelas profissões que circundam a corte do poder? Por exemplo, você sabia que um servidor de nível médio da Câmara Federal (do tipo tirador de cópias) recebe mais do que um Analista Ambiental com doutorado no IBAMA ou qualquer outro professor universitário? Rombo mesmo está nos salários dessas pessoas.

Pois é meus amigos, durma-se com essa chiadeira toda. Diante de tamanha celeuma, eu já estou esperando o governo fazer um programa de adesão voluntária pra tentar resolver o tal rombo da Previdência. A propaganda seria algo assim: "Você aposentado ou pensionista que quer colaborar com um país melhor, se quiser morrer logo, pagamos o seu caixão e todas as despesas do funeral. Ah! E se não deixar pensão pra pagar, garantimos uma audiência com o Todo Poderoso. Morra e ajude a aliviar o rombo na Previdência, afinal, tu já tá mais pra lá do que pra cá, vamu combinar!"
Ah! ah! ah! E aí, vai aderir?

MANJA A VUVUZELA?

Pois é, você manja a tão falada Vuvuzela. O grande problema pra mim é o seguinte: O meu prédio, um lugar pacato e silencioso, se transformou em um estádio sul-africano. Quando você menos espera surge o potente e assombroso som, e o pior o som pode aparecer depois de um gol da Eslovênia às 9:00 da manhã. Essas cornetas sempre rolaram por aqui, mas esse ano a "pressão" tá "no máximo". Tô querendo um adesivo desse aí (já encontrado em alguns lugares de Joanesburgo). Ah se eu sou síndico...rs.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ACEITA PEDIDO?


Eu lhe garanto que não é uma mesma pessoa. Sério! Não se trata de um obstinado com seu violão na mão que pula de bar em bar em busca de juntar algum. Apesar de idênticos os famigerados cantores de barzinho são vários, muitos, cada vez mais e... todos iguais! Não é possível!

Não sei por aí na Guanabara, mas aqui no Aquiry essa espécie de gente possui a mesma pasta de repertório. Sabe aquelas de folhas de plástico usadas muito para colecionar papel de carta? Pois é! Eles possuem a mesma pasta com as mesmas músicas e, ao que me parece, freqüentam o mesmo professor de canto. Pode ser birra minha (e é claro que é isso mesmo), mas a impressão é que todos cantam no mesmo "tom pastel": tão vibrante quanto uma plantação de chuchu.

O repertório é um caso a parte. Mais óbvio, impossível. Ninguém inova e arrisca sair da mesmice. Sempre os mesmos chavões. É claro tem as músicas de época... mas é uma época loooonga. Imagino que eles devem mudar de músicas em ano bissexto ou a cada passagem do Halley...enfim mas, acreditem, vira e mexe você por aqui ainda houve Andança, aquela do "trocando de biquini sem parar" e a antiga overdose do momento: aquela do Baleiro "Eu tava triste, tristinho, mais sem graça que a top model magrela na passarela ". Rapaz, eu vou te dizer: essa daí já deve ter morrido de bulimia e o cara tá num fosso depressivo de tão tristinho que ele ficou.

Saca “aquelas do Djavan”? Tem também "aquelas do Vercilo"... Putz! Não tem um pra tocar um Rebollation que seja pra pelo menos alguém xiar e perceber que estão tocando ali no canto. Ah! E toda noite, é claro, tem um aniversariante. Que beleza! E junto com o aniversariante tem o amigo brilhante que “de surpresa” leva um bolinho e pede pro cantor tocar um parabéns. Aí é o ápice! Juro pra vocês que tem um cantor aqui que toca um Parabéns pra Você com voz e violão meio a lá João Gilberto, que da ultima vez que participei de uma “festinha dessas”, quando tava no "...muitas felicidades, muitos anos de vida" o aniversariante deu uma cochilada. É mole?

Por isso que um amigo meu não teve paciência não. Um dia desses, ele num canto do bar e o cantor no outro gritou:
- Aí cantor! Tu aceita pedido?
- Opa! É claro, manda aí!
- Então dá um tempinho, pelo amor de Deus!
Ah! Ah! Ah! Tava ruim mesmo!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ALGUÉM TEM O ANDRÉ SANTOS AÍ?


Talvez um dos grandes prazeres que minha infância me proporcionou foi colecionar álbum de figurinha. Na verdade, não sei se realmente foi um dos maiores prazeres da minha infância, mas já que não ando jogando volei e futebol num espaço improvisado no play do prédio, não ando brincando de salada de fruta por "motivos de força maior" e o meu time de botão há tempos se aposentou, só me restou relembrar o gostinho pelas figurinhas.

Não sei de onde saiu a idéia, mas desde o último sábado venho colecionando o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Tem algo mais retrô que isso? E vou te falar: tá uma delícia. O álbum dessa Copa é mais bonitinho e continua com o mesmo charme. Hoje inclusive você não paga pelo álbum... só compra os pacotinhos de figurinhas a 0,75 de Real e pega de graça o álbum na banca. Eu tenho a impressão que naquela época a gente tinha que comprar o álbum né? Enfim, abrir o pacotinho de figurinhas continua com a mesma graça: sempre na expectativa do que virá e muito puto quando as 5 que vem é tudo repetida. Pô! Muito legal.

Lembro que sempre gostei muito de colecionar álbuns de figurinha, mas nunca conseguia completá-los. Minha mãe (culpada igual a sua) jogava isso na minha cara sempre quando eu chegava com um álbum de figurinhas em casa (depois do meu pai, na moita, ter me dado algum$$ pra isso). Ela me enchia de frases do tipo "Quero ver sustentar esse álbum!" "Não sei por que comprar...nunca completou um".

Abro parênteses. Imaginou se fosse hoje? Alguém do juizado de menores ou do MP já teria ameaçado minha mãe de perder minha guarda, obrigando a ela pagar uma tratamento psicológico com acusações do tipo "incutir em cabeça de menor desprotegido sentimentos de derrota e fraqueza". Já posso ver a tia Marina Tanaka, coordenadora pedagógica lá do ginásio, chamando a minha mãe "pra dar explicações". Criança hoje em dia sofre que é uma tristeza! Fecho parênteses.

Mas um dia isso tudo acabou. Eu tinha que completar um álbum pra mostrar pra minha mãe que eu era capaz. E assim foi com o da Copa de 90: meu último e vingador álbum de figurinhas. Depois de muita luta, muito bafo, conchavos com o meu pai e troca com os amigos, consegui completar o meu álbum. Lembro até hoje a última figurinha que me faltava: era o lazarento do goleiro da Argentina (só podia ser) o Pumpido, que na Copa inclusive quebrou a perna e, de quebra, quase quebrou o meu álbum. Ainda o tenho, completinho guardado com muito esmero.... tá naquela caixa NÉ MÃE?

O meu álbum hoje já está nos finalmente e, pra completar o Brasil, só falta o André Santos que, além de não ir pra Copa, tá empatando meu álbum. Alguém tem ele ai?

Lembram desse?

OBS: Mãe, eu te perdoou viu... mas a conta do analista é sua! heheheh

terça-feira, 11 de maio de 2010

SELEÇÃO DE REPARTIÇÃO

Apesar de ser um servidor público e ter orgulho disso, permitam-me fazer uma comparação da seleção do Dunga com uma repartição pública... aquela do senso comum. O escrete selecionado é uma típica seleção de repartição. Observem:

Uma boa repartição pública você tem ali o bom carimbador de declaração. Acerta uma carimbada como ninguém... com velocidade e ritmo satisfatório. Tem também o atendente, ora educado, ora mal humorado mas sempre ali, fazendo o seu com certa destreza. Lá atrás, numa salinha a parte, é o local do chefe de repartição. Geralmente o chefe de repartição é aquele sujeito com seus 30 anos de casa, que já foi muito bom, mas que hoje faz o seu feijão com arroz de 8 às 12 e das 14 às 18, ocupando o cargo muito mais por antiguidade do que por talento mesmo. Ele já teve mais gás sabe, mas há uns 5 anos vem trabalhando no automático...saca?

O problema é quando o sistema cai. Ai meu amigo....fudeu! A fila aumenta, começa um burburinho, ao longe já se ouve um "Isso é um absurdo!" e o atendente com aquela resposta pronta: "O sistema está for a do ar". O chefe não foi capacitado durante esse tempo todo, não entende de sistema nenhum já que ainda usa sua Olivetti "último tipo" e avisa: "Já liguei pro técnico. Ele tá almoçando agora, mas ficou de vir logo, logo." Como o cara tava demorando demais, ele chama Olavinho que entende um pouco de informática, é bem esforçado mas não é sempre que ele acerta. Quando acerta vira rei, quando não acerta... é da vida né. Mas o carimbador, o atendente e o chefe não tem culpa.... eles não entendem de sistema e nem são pagos pra isso.

A convocação do Dunga se assemelha a essa repartição. É uma boa seleção e só. Ela te desperta o mesmo tesão de quando você vai enfrentar uma fila no DETRAN pra renovar a carteira. São 23 jogadores esforçados, de talento mediando comprovado e cada um na sua parte que lhe cabe são bons e fatalmente vão fazer um bom trabalho. Mas bom trabalho não necessariamente ganha Copa. O Kaká me parece que é colocado como a única esperança. Uma sobre-carga enorme encima de um mesmo jogador que vem jogando mal. Ele é o chefe da repartição. Se ele não jogar bem, um abraço. Quem sabe se torne uma espécie de Raí da Copa de 94. Já o Robinho é nosso Olavinho: às vezes cai como uma luva mas tem vezes que faz "papel de Denilson": muita firula pra nada. Ai meu amigo, vai chamar quem quando o sistema cair? Sabe aquele jogo zero a zero, onde ninguém consegue sair da marcação, encardido, com o meio de campo apagado e, num contraataque leva um gol aos 15 do segundo tempo e, se não revidar até os 30, os últimos 15 vai ser um Deus nos acuda? Vai colocar quem? O Júlio Baptista é a solução? Elano talvez?

Entre os nomes do nosso time, não há um coringa, um "estagiário" atrevido que se mete no atendimento, ajuda o carimbador, ensina o chefe a ligar o computador e ainda troca aquela lâmpada que tá queimada desde o ultimo apagão. É uma seleção sem tempero, com a cara do Dunga. Ainda mais fraca que a seleção de 94. O nosso comandante acaba de instituir o coorporativismo de Seleção. Tem até gente melhor, mas o pacto não era com eles... fazer o que? O grupo tá fechado (fechadissimo!), todo mundo é amigo do chefe e que bom que ninguém tem uma noiva louca de fazer chorar.

Por ser esforçado, pode até ser campeão... mas tu vai sofrer pacas e reza (reza muito!) pro sistema não cair. O Olavinho pode não dar conta...