sexta-feira, 22 de abril de 2011

COELINHO DA PÁSCOA, QUE TRAZES PRA MIM?

Depois da ilustre visita de Lord Vader desejando um feliz dia dos pais em 2010, chegou a hora do coelho branco sair de sua toca para trazer sua sempre singela mensagem cristã...

FEED YOUR HEAD!!!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

VERSANDO COM A HISTÓRIA

Quem não sabe da história
Não tem o que contar
A história que se vive
É aquela de acolá
Quem sabe do que falo
Versa comigo cá



Ele quis fazer do mundo
Algo novo de se ver
Acreditava na comuna
Seja lá o que venha ser
Morreu por uma causa
E por tiros, é bom dizer!



O mundo se faz de gente
Que é orgulho de se ver
Um é o gênio do silêncio
O outro na paz fez seu viver
O que Chaplin fez sem som
Ghandi fez com saber



A Guerra Mundial
Acabou nesse escrever
Depois da Rosa atômica
O Japão foi só sofrer
Mas saíram das cinzas
E voltaram a crescer



A humanidade acontece
No grão que você vê
O planeta meu amigo
É irrelevante pode crê
E você se acha tanto
Mas tão pouco pode ser



O papa e o monstro
Se encontraram pra se ver
Um, nega o acordo
O outro, não quer dizer
Pra manter sua riqueza
Eles tem que se entender




O Mengo é hexa
O São Paulo também
Eu amo o Tricolor
E pro Mengo digo Amém
Duodecacampeão?
Só eu meu bem



Esse passo fez da gente
Algo nobre de encarar
Mas pisar na lua meu irmão
Não fez ninguém ganhar
Em guerra ainda estamos
E o astronauta quis voltar



Ele faz com as pernas
O Mundo sonhar
A humanidade se redimi
Vendo o moço dançar
Ele é a prova certa
Que Deus sabe bailar

sexta-feira, 18 de março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

JACARÉ: O GÊNIO!



Nos últimos dias o genial Radiohead lançou seu mais novo disco, "The King Of Limbs". Ainda não sei muito sobre o disco, apenas uma rápida audição mostrou que a banda continua na mesma linha dos álbuns anteriores (isso é bom, apesar de desgastar depois de um tempo). Mas vamos aos fatos, a postagem não é sobre "The King Of Limbs" em si. Junto ao disco o Radiohead lançou um clip, da música "Lotus Flower", onde Thom Yorke dança loucamente, como se Ian Curtis (Joy Division) estivesse ali no corpo da criatura. Todo mundo adorou, achou engraçado, ou simplesmente achou fantástico, afinal é Radiohead...blá blá blá.

O mais legal ocorreu quando o blog da Revista Alfa (Abril) chamou alguém especializado para comentar a tal dança estranha de Yorke. Jacaré, ele mesmo, foi o "escolhido", cheio de técnicas que ultrapassam a simples dança da garrafa o dançarino (ou seria bailarino?) dá até pitaco na iluminação do vídeo. Abaixo segue a entrevista. Antes de tudo já digo: Jacaré é Gênio!

O que achou da dança de Thom Yorke?
É intuitiva… faz o que está sentindo, o que está cantando. Tem ritmo, pelo menos. Ele faz o que vêm à cabeça. Mas não é coreografada, né? Se ele for querer repetir, não vai sair da mesma forma. A não ser que ele imite o próprio vídeo depois.

Algum ponto a melhorar na performance?
Não, não… porque na verdade ele não dança. Ele se movimenta, ele se mexe em relação à melodia. E esses movimentos falam sobre se libertar, sobre flores, sobre o coração. Então ele está sentindo o que está cantando e quis mostrar isso de alguma forma.

Você dançaria esse tipo de música?
Dançaria sim, dependendo do ambiente. Não sou muito de eletrônica, de rave, mas chego em eventos que tem esse som e aí vou também por instinto. Começo alguma coreografia, jogo braço, jogo cabeça… só sentindo a música.

Acha que Thom ficou natural no vídeo?
Sim, sim… ele sente o teclado, a bateria, a guitarra. Achei a iluminação bastante interessante. Tudo ali tem um significado, mas mais pra ele do que pra quem está assistindo. Cada um vai interpretar de uma forma. E provavelmente não tem coreógrafo mesmo, só um diretor de cena.

Conhecia Radiohead? O que achou de “Lotus Flower”?
Não conhecia a banda, só de ouvir falar. Achei “Lotus Flower” muito boa… gostei do preto e branco no clipe. Ele tá falando de flores e, com esse preto e branco, parece que é uma flor que ainda vai florescer.

Conseguiria coreografar “Lotus Flower”?
Dá pra coreografar sim, todas as músicas! Essa é um pouco difícil, indicaria pra quem tem uma formação de jazz, balé ou dança contemporânea. Eu não fiz curso, comecei com a dança de rua de Salvador, que é completamente diferente da dança de rua do Rio e São Paulo. Dançava Axé, pagode baiano e com o tempo tive que aprender um pouco de técnica, principalmente a contagem da música. A coreografia era sempre em cima da letra. Então se a letra disser: “vou pegar o telefone pra ligar pro Marcos”, tem que ter ali o movimento. Mas quando comecei a trabalhar também com a contagem da música, facilitou até pra decorar os passos.

Sensacional. No fim os repórteres (Júnior Bellé e Marcos Lauro) colocaram os dois vídeos, o "tal" do Radiohead e um do É O Tchan e fecharam tudo de forma brilhante:

"Agora, compare os movimentos frenéticos de Thom Yorke com a técnica apurada de Jacaré".

***Felipe, se quiser aprender com Thom Yorke é só seguir o esquema abaixo. Os passos do Jacaré você já sabe.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

A IMPRENSA, A CORTESÃ, O MEU SONO E MINHA POUCA INSPIRAÇÃO



A imprensa, como se sabe e com o perdão da má palavra, é uma espécie de puta gostosa que você paga pra falar que você é “o cara” na cama. Mas se você não paga ou trata mal meu amigo...é melhor você sumir, porque você tá frito. Por isso que o poder está tão perto das cortesãs como da imprensa. O potencial de estrago dos dois é enorme.

Mas esse meu preâmbulo “cafa” e sem inspiração nenhuma, foi só para vocês se atentarem a matéria da TV Cultura fazendo propaganda do governo de São Paulo que coloco nesse post. Esse tipo de matéria é muito comum no Acre e em vários locais do Brasil onde a noticia é fabricada pelo poder. E o poder, como se sabe também, adora receita de bolo, né não? Em grandes centros, esse tipo de matéria as vezes é dificil de identificar diante a avalancha noticialesca que estes locais prduzem. O legal dessa matéria é que ela foi contestada no ar pelos convidados. Vale dar uma olhada.

No Acre, que eu conheci mais de perto, matéria de seminários de blá blá blá e reuniões do governador com “a esposa do assessor do vice-consul do Nepal no Brasil” falando num possível intercâmbio na área do “não sei o que”, é praxe. Jornal impresso então é escandaloso. Eles reproduzem release da imprensa oficial num cópia e cola sem noção, que a mesma pauta chega a ser tratada com o mesmo texto e os mesmos erros de português nos quatro jornais mais lidos do Estado.

Pois é... agora seria o momento que um escritor razoável faria uma graça finalizando o texto, pegando a imprensa e a putaria, dando um sentido a comparação que ele não conseguiu dar ao longo do mesmo e fechando com chave de ouro. Mas como nem razoável eu sou e não tô com o minimo de inspiração pra terminar isso aqui, morrendo de sono eu...zzzzzzzz

domingo, 6 de fevereiro de 2011

AHHH! ESSES OLHOS VERDES...



A violência contra a mulher possui diversas faces. O processo de destruição psicológica e física é tamanha, que à agredida chega ao cúmulo de pensar "Ok? Eu mereço apanhar".

Esse vídeo engraçado mostra alguns sinais comuns desse problema: o agressor solto apesar do mandato de prisão, a violência contra mulher endêmica nas classes menos favorecidas e o alcoolismo. O resto é bom humor, buniteza e um grito de "Eu mereço mais". AH! Esse sorriso bonito...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

AS NUANCES DO NOSSO PRECONCEITO



Pessoas queridas do meu pulmão, não é exatamente da nossa laia o hábito de publicar nesse espaço, textos que não sejam de nossa autoria. Mas, ora ou outra, surge algumas pérolas que dizem exatamente o que queremos dizer e no estilo que sempre escrevemos. Ou seja, nos copiam descaradamente.

O último plagiador sem vergonha foi o ótimo Antônio Prata que, numa crônica publicada ontem na FOLHA, sintetizou muito bem por onde anda o nosso preconceito nestes novos tempos de mudanças sociais no país. O Prata vem se destacando ultimamente como um dos maiores cronistas da nova geração, quase tão bom quanto o Tadeu., o Vinícius e o Glauco.
Deliciem-se e, se possível, olhem na cara do seu preconceito...

O AEROPORTO TÁ PARECENDO RODOVIÁRIA

O funcionário do supermercado empacota minhas compras. A freguesa se aproxima com sua cesta e pergunta: "Oi, rapazinho, onde fica a farinha de mandioca?". "Ali, senhora, corredor 3." "Obrigada." "Disponha."

A cena seria trivial, não fosse um pequeno detalhe: o "rapazinho" já passava dos quarenta. Teria a mulher uma particularíssima disfunção neurológica, chamada, digamos etariofasia aguda? Mostra-se a ela uma imagem do Papai Noel e outra do Neymar, pergunta-se: "Quem é o mais velho?", ela hesita, seu indicador vai e vem entre as duas fotos, como um limpador de para-brisa e... Não consegue responder. Infelizmente, não me parece que a mulher sofresse de uma doença rara. Pelo contrário.

A infantilização dos pobres e outros grupos socialmente desvalorizados é recurso antigo, que funciona naturalizando a inferioridade de quem está por baixo e, de quebra, ainda atenua a culpa de quem tá por cima.Afinal, se fulano é apenas um "rapazinho", faz sentido que ele nos sirva, nos obedeça e, em última instância, submeta-se à tutela de seus senhores, de suas senhoras.

Nos EUA, até a metade do século passado, os brancos chamavam os negros de "boys". Em resposta, surgiu o "man", com o qual os negros passaram a tratar-se uns aos outros, para afirmarem sua integridade. No Brasil, na segunda década do século XXI, o expediente persiste.

Faz sentido. Em primeiro lugar, porque persiste a desigualdade, mas também porque todo recurso que escamoteie os conflitos encontra por aqui solo fértil; combina com nosso sonso ufanismo: neste país, todo mundo se ama, não?

Pensando nisso, enquanto pagava minhas compras, já começando a ficar com raiva da mulher, imaginei como chamaria o funcionário do supermercado, se estivesse no lugar dela. Então, me vi dizendo: "Ei, "amigo", você sabe onde fica a farinha de mandioca?", e percebi que, pela via oposta, havia caído na mesma arapuca. Em vez de reafirmar a diferença, reduzindo-o ao status de criança, tentaria anulá-la, promovendo-o ao patamar da amizade. Mas, como nunca havíamos nos visto antes, a máscara cairia, revelando o que eu tentava ocultar: a distância entre quem empurra o carrinho e quem empacota as compras.

"Rapazinho" e "amigo" -ou "chefe", "meu rei", "brother", "queridão"- são dois lados da mesma moeda: a incapacidade de ver, naquele que me serve, um cidadão, um igual. Não é de se admirar que, nesta sociedade ainda marcada pela mentalidade escravocrata, haja uma onda de preconceito com o alargamento da classe C, que tornou-se explícito nas manifestações de ódio aos nordestinos, via Twitter e Facebook, no fim do ano passado.

Mas o bordão que melhor exemplifica o susto e o desprezo da classe A pelos pobres, ou ex-pobres que agora têm dinheiro para frequentar certos ambientes antes fechados a eles, é: "Credo, esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária!". De tão repetido, tem tudo para se tornar o "Você sabe com quem está falando?!" do início do século XXI. Se o Brasil continuar crescendo e distribuindo renda, os rapazinhos, que horror!, ganharão cada vez mais espaço e a coisa só deve piorar. É preocupante. Nesse ritmo, num futuro próximo, quem é que vai empacotar nossas compras?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

E AGORA BONNER... A CULPA É DE QUEM?

Meu queridos, deêm uma olhada na manchete do O GLOBO de hoje (13/01)

Lula não mandou dinheiro para prevenção. Lula não mandou dinheiro para contenção de encostas e, só “agora”, a presidente Dilma Rousseff autorizou o repasse de R$ 780 milhões para recuperar áreas destruídas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

As organizações GLOBO, numa pincelada só, acabam de colocar nas costas do Lula mais de 400 mortes.Percebem?
"Ok Felipe, mas isso é do feitio deles mesmo", diriam vocês.

Tudo bem, concordo! Mas como a realidade é uma danada que vive ficcionando a vida da gente, peço a atenção de vocês pra mais uma dessas ironias da dita cuja. Leiam, por favor, essa matéria do último dia 20 de outubro, retirada do ótimo Conversa Afiada, versando sobre onde foi parar parte do dinheiro destinado a contenção de encostas no Rio de Janeiro.(se tiver pequeno, clica na imagem que ela abre maior)



Leram? Então pensemos juntos agora no elo entre as “coisas que coisam” o mundo: em outubro passado, a Prefeitura e o Estado do Rio de Janeiro repassam 130 milhões de Reais para as Organizações Globo. Parte desses milhões, como diz a matéria, são para conter encostas e previnir esse tipo de tragédia. Em troca, um mês depois (vocês hão de se lembrar), as Organizações Globo clamam para os sete ventos a VITÓRIA do Estado do Rio de Janeiro sobre a violência. Finalmente chegou o dia que VENCEMOS O CRIME e invadimos o Alemão! Não é isso que a Globo vem te vendendo desde então?

Pois bem... continuem comigo: aí, quando a região serrana do Rio vem abaixo num cataclisma geológico-hidrológico-político, passando o rodo em todas as áreas de ocupação suicida que os municípios autorizam ocupar desde sempre e quando parte do dinheiro destinado a prevenir essa tragédia, o governo do Estado resolve desviar pra construir museus nas mãos da Globo, faz com que os Marinho não tenham muito quem culpar... ai sobra pra quem? Já que a Dilma ainda nem esquentou seu trono e, como todos sabem, apontar Sérgio Cabral e São Pedro como culpados é blasfêmia... vai no Lula mesmo que tá fora de jogo. BINGO!


Tá aí, mais uma boa mentira construída pra entreter e confundir nossa cabeça. Ah! se eu pego esse mundo real...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

UMA LASQUINHA DA HISTÓRIA


Povo invadindo o gramado do Congresso na posse da Presidenta Dilma

Ok! Não votei nela no Primeiro Turno e nem em ninguém. Já estava em Brasília, longe do meu “curral” eleitoral. E mesmo se pudesse, não teria votado. Mas no Segundo Turno eu votaria se estivesse no meu Acre. Mas também não estava lá pelo mesmo motivo do Primeiro Turno. Entretanto, o fato é que acompanhar a posse da primeira mulher a assumir a presidência do Brasil e se despedir do, para esmagadora maioria de brasileiros, melhor presidente que o país já teve, é emocionante. A sensação é de estar tirando uma lasquinha da história.

História essa que julgará, com a frieza da distância, a nossa geração e nossos governantes. Hoje, já que não consigo olhar lá da frente e de minha confortável posição de estilingue, tenho várias pedras pra jogar na vidraça do governo Lula. No entanto, buscando entender os limites do poder, de como ele é exercido há séculos no Brasil e por tê-lo acompanhado direto da ponta do Brasil (ops!), a “presidência operária” trouxe ganhos reais pra quem precisava e deixou ganhando quem sempre ganhou. Como antes só o segundo que se dava bem... vai saber se a arte de quiabar governar não esteja justamente em agradar todo mundo, sem nenhuma ordem mudar?

E o fato de hoje termos uma mulher na presidência do Brasil, representa um salto na luta pela igualdade de gênero nesse país que é tão arraigado a tradições machistas de constante desrespeito aos direitos e as vontades das mulheres. SENSACIONAL!

Em terras latinas de "raízes masculinas", temos as duas maiores nações da América do Sul governada por mulheres: Brasil e o Flamengo...ah! Tem a Argentina também...ehehe! Parabéns mulherada!

A mulher do Brasil
É orgulho que temos
Presidente do país
Fomos nós que pusemos
E elas gritam por ai
-Sim, nós podemos!


Após o juramento e o discurso no congresso, a Presidenta Dilma passa em carro aberto a caminho do Palacio do Planalto para receber a faixa presidencial do Presidente Lula.


Presidente Lula descendo a rampa e se despedindo do Palácio do Planalto, acompanhado pela presidenta Dilma.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"CORPUS FECHADUS"

Habeas Corpus - um filme de Debora Diniz e Ramon Navarro from Universidade Livre Feminista on Vimeo.

(Brasil, 2005, 20min. Direção:Debora Diniz e Ramon Navarro)

Comentários Wanderson Flor: O documentário acompanha o sofrimento de Tatielle, uma jovem mulher de Morrinhos, interior de Goiás. Grávida de 5 meses de um feto que não sobreviveria ao parto, um habeas corpus apresentado por um padre que sequer a conhecia impediu Tatielle de interromper a gestação. Já sentindo as dores do parto, Tatielle foi mandada embora do hospital onde estava internada em Goiânia. De volta para Morrinhos, Tatielle agonizou cinco dias as dores de um parto proibido pela Religião e pela Justiça.

fonte: DocVerdade

domingo, 14 de novembro de 2010

O BRASIL ATRASA O NORDESTE


Meu povo, depois da enxurrada preconceituosa com que o Centro-Sul do país e a “grande imprensa independente” do Brasil tratou a vitória de Dilma, culpando o Nordeste pela manutenção do PT no governo, justamente pelo fato do povo de lá “viver” de políticas publicas sociais do governo que, como todos sabem, “criam” uma grande massa de vagabundos no país, acho que o melhor mesmo é que o Nordeste se liberte do Brasil e, se der, levar o meu Acre junto. Sei lá, a terrinha seria uma espécie de posto avançado da Nordestânia (está bom, podemos pensar num nome melhor) na América Latina quem sabe.

Mas acho melhor mesmo é abandonar o barco, como já dizia o menestrel pernambucano Ivanildo Vila Nova e pelo paraibano Bráulio Tavares já há algumas décadas atrás.

domingo, 31 de outubro de 2010

GRÂNDOLA, VILA MORENA




Há pouco conheci a música Grândola Vila Morena através de um amigo de trabalho. Ao tocá-la no violão, ele contava que ela havia sido tocada na Revolução dos Cravos em Portugal em 1974, dando inicio ao levante do MFA (Movimento das Forcas Armadas) que depôs o regime salazarista depois de 41 anos de ditadura.

Além da música ser muito boa, a história dela me deixou muito curioso e fui atrás de saber mais. Descobri que a canção foi composta e cantada pelo cantor português Zeca Afonso em 1971, sendo logo censurada pelo governo ditatorial, que a relacionou com o comunismo. Ela, às zero horas e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, foi transmitida na Rádio Renascença como o segundo sinal do inicio da Revolução.

O primeiro sinal foi a música “E depois do adeus” cantada por Paulo de Carvalho, que foi tocado cerca de hora e meia antes, às 22 horas e 55 minutos do dia 24 de Abril.

Desde então, Grândola, Vila Morena ficou associada ao início da Democracia em Portugal. Sua letra refere-se à fraternidade entre as pessoas da vila de Grândola, no Alentejo

A musica foi gravada por diversos cantores no mundo todo. Aliás, existe uma gravação com a Amália Rodrigues que é belíssima. No Brasil, Nara Leão a gravou na década de 70 em um compacto simples... ficou muito bom também! Em 87, a banda de rock paulista 365 a gravou também. E foi nessa versão rockeira que a conheci.

Mas enfim meus amigos, de qualquer forma que for gravada ela é de arrepiar, ainda mais quando conhecemos sua historia, vinda de um tempo em que os lados estavam claros e as canções ainda tinham um papel de transformação da sociedade.

GRÂNDOLA, VILA MORENA

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade


Dentro de ti, ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola, vila morena


Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola, vila morena

Terra da fraternidade


Terra da fraternidade

Grândola, vila morena

Em cada rosto igualdade

O povo é quem mais ordena


À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira

Grândola a tua vontade


Grândola a tua vontade

Jurei ter por companheira

À sombra duma azinheira

Que já não sabia a idade

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CAMPANHA DO FUSO... VOTE 77



Não sei se vocês sabem, mas o Acre no próximo dia 31 irá votar pra presidente e para um referendo que decidirá de vez o horário da terrinha. Como sabem, dois anos atrás o Acre teve sua hora mudada pela Globo e pelo Tião Viana na caneta sem consultar ninguém.

Por questões políticas e pressão social, estabeleceu-se que teremos uma consulta popular para definir o fuso confuso acreano. E como não é sempre que se tem um referendo pra definir um fuso, vejam ai o vídeo da campanha do Voto não! Eu quero minha hora de volta e voto 77!

Ai que vontade de estar no meu Acre no domingo pra votar.....

domingo, 24 de outubro de 2010

DAS MARGENS DA HISTORIA ÀS MARGENS DO PURUS... (legendado)



O filme conta a história dos seringueiros na floresta amazônica a partir da vida dos moradores da Reserva Extrativista Arapixi. Desde a sua vinda do Nordeste brasileiro onde sofriam com a forte seca e a intransigente cerca dos latifúndios brasileiros. Na Amazônia esse sertanejo não encontrou uma sorte melhor. Produzindo borracha nos mais distantes lugares na grande floresta, o seringueiro, segundo palavras de Euclides da Cunha, "trabalhava para escravizar-se". A partir da lógica cruel da renda a ser paga ao patrão, o seringueiro vivia constantemente endividado sem poder se libertar. Com a decadência da economia do látex e a saída do patrão da floresta, o seringueiro ficou abandonado a própria sorte na floresta. Cada vez mais foram se transformando em pequenos agricultores e, apesar dos pesares, ainda gostam da floresta onde vivem.

O documentário foi realizado a partir de imagens capturadas por câmeras amadoras e seus vídeos fazem parte do acervo da Unidade. Ao analisarmos todo o material (mais de 10 horas de vídeo), observamos que tínhamos uma história para contar. E foi o que fizemos. Mais do que um vídeo institucional da Reserva, o vídeo é um registro desses bravos moradores da floresta que se mantêm firmes em suas terras, em busca de melhores condições de vida conciliando com a conservação da natureza. Seu título é uma referência a obra póstuma do escritor brasileiro Euclides da Cunha, Às Margens da História, que retrata em seus textos a expedição que fizeram ao longo do Rio Purus no inicio do século XX.

E atendendo o pedido da Tati, o filme agora esta legendado. Ai Tati... tai o que você queria




segunda-feira, 18 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

OPERAÇÃO PANDEMIA (2009)



Operacao Pendemia (Argentina, 2009, 9min - Direção: Julián Alterini)

O documentário argentino nos mostra claramente o que estava por trás da campanha midiática que se fez com a gripe Suína, e as relações do governo George W. Bush na venda do Tamiflu.
Medo e o pânico a serviço do capital!

Ah! E não perca a oportunidade de ver o nosso excelentíssimo ex-ministro da Saúde explicando como se combate a gripe suína....que bunitinhu!

O INIMIGO É OUTRO




Absolutamente imperdível esse depoimento de um soldado estadunidense recém regresso da guerra. Não deixem de ver.
Aproveitando o mote do Tropa de Elite II, o inimigo muita vezes te sorri e lhe passa a mão nos ombros. Foi isso que o soldado foi descobrir no Iraque!.
O lucro é o objetivo e sua vida não vale nada!

(clicando no filme voce entra no site do YouTube e consegue ver o filme sem estar cortado)

domingo, 10 de outubro de 2010

O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO E O RESULTADO DA ELEIÇÃO

Pois é pessoal, pior que estava, ficou. Ao contrário do que dizia o bordão do Tiririca, piorou muito e não foi por causa do palhaço campeão de votos. Como tudo isso aqui é uma enorme Sucupira, veio o segundo turno pra nos colocar no nosso devido lugar na evolução política e nos situar devidamente no país em que vivemos: ainda na Idade Média.

Com dois políticos com uma proposta de governo muito similar, ou pelo menos da garganta pra fora (ou alguém é contra mais educação, mais saúde, mais infra-estrutura, bla, bla ,bla?), surge o assunto que irá definir a eleição pra Presidente em 2010: o preconceito e a caça as bruxas conservadora do “neo-religiosismo”, que afunda o pais na discriminação social, de raça, cor, opção sexual entre outros temas que nos fazem reviver os tempos áureos da Inquisição em pleno Segundo Turno eleitoral.

E um desses aspectos é o tema do aborto. Pois é, não se iludam, Serra e Dilma têm a mesma posição sobre o assunto, ou seja: vamos discutir o assunto. Mas como, pasmem, 80% da votação da Marina foram de evangélicos (“onda verde” é o escambau) e a cada dia mais gente vem “encontrando Deus” (esse Deus aí já perdi e nem quero achar!), vimos ressurgir um discurso raivoso, preconceituoso, terrorista que faz Dilma e Serra caírem na cilada fundamentalista e irem a TV pra mostrar quem é mais contra o aborto do que o outro.

Pra ilustrar um pouco o estado das coisas no país hoje, abaixo há uma homilia de um tal padre José Augusto da Canção Nova absolutamente absurda, carregada de rancor, preconceito, raiva, terrorismo, medo... em nome de Deus, é claro!

Ai você imagina aonde a gente chegou: agora pra gente atacar o Serra, vamos ter que dizer que ele aprovou as principais ações pró-aborto no país, como se isso fosse necessariamente ruim. Meu Deus, sai daqui que o Senhor ta atrapalhando!

Os aiatolás do Irã devem estar morrendo de inveja de como o Brasil esta conseguindo implantar, em pleno mundo ocidental, o fundamentalismo religioso tão caro a eles.

domingo, 3 de outubro de 2010

HISTÓRIAS ÚNICAS E ESTEREOTIPOS



Pessoas, a fala que faço questão de colocar acima é da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Apesar de ser um pouco longa (18 min), faz muito bem ser vista por todos nós que de alguma forma lutamos contra as histórias únicas que nos são contadas e muitas vezes pouco refletidas, criando estereótipos que só nos turvam a vista e pouco explicam. Belíssimo depoimento vindo do nosso continente mais estereotipado.

"A única história cria o estereótipo. O problema do estereótipos não é que eles sejam mentira, mas sim que são incompletos".

terça-feira, 28 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ESSE POVO DE DEUS É UMA BENÇA


Caminhando pelo Canal da Maternidade em Rio Branco, dei de cara com essa frase pichada no muro que tive a curiosidade de fotografá-la e que está logo ai acima. Pois é, me incomodou! Apesar de não ser homossexual (sem piadinha ok?), me senti agredido na minha liberdade de ver as coisas libertas.

Não é possível que hoje em dia ainda tenham pessoas que se afirmem na sua religião, negando o direito do outro. Como assim? Que povo de Deus excludente é esse? E não me venham dizer que a religião cristã não concorda com o casamento homossexual e por isso se posiciona contra. E daí? Quem lhes deram o direito de agredir o direito dos outros? Que eles resolvam os seus recalques com os gays nos seus quintais, mas pra longe do pastor, o negocio tem que ser diferente.

Me perdoem o exagero, mas esse mesmo tipo de raiva homofóbica tem as mesmas raízes excludentes que perseguiu (ou perseguem) os judeus na Alemanha, os curdos no Iraque, os palestinos em Israel entre outro inúmeros exemplos de afirmação de um grupo de pessoas encima do direito de outros.

No entanto (ah! esse otimismo que me machuca), acredito que estamos perto do dia que essa frase nos soara tão anacrônica e sem sentido como esse anuncio que coloco logo ai abaixo. Uma tia minha muito querida, formada em “história pela sua curiosidade”, encontrou esse anuncio datado da década de 1870, nos arquivos de uma biblioteca de Itajubá. O mesmo trás a oferta de uma escrava própria para “ama de leite e todo o serviço” com dois filhos (um deles ingênuo, como se chamavam os escravos libertos pela lei do Ventre Livre-1871). Quem faz a oferta é um tal de Manoel Dias Pereira, que muito provavelmente era um cristão “temente” a Deus.

Pode parecer exagero comparar o escravismo com o os direitos civis dos homossexuais mais de 130 anos depois. Mas não se enganem, nasceram de uma mesma cristandade sem noção e nada cristão.... né não?

domingo, 12 de setembro de 2010

É A NOSSA CARA!



Pois é, quando o Tiririca foi pra televisão avisar que votando nele "pior que está não fica" e dizendo que não tem a menor idéia do que um deputado faz, muitos se revoltaram com frases manchadas do tipo "isso é um deboche contra a nossa democracia", "é um absurdo um candidato como esse", entre outras colocações mal humoradas.

Ai, aos puristas, eu pergunto: e a nossa tal democracia merece coisa melhor? Meus amigos acordem: o Tiririca é a cara da nossa democracia. Lendo uma entrevista dele você percebe que ele é aquilo mesmo: um palhaço (no melhor sentido da palavra), captado por um partido oportunista buscando milhões de votos para eleger seus outros palhaços (no pior sentido da palavra), que tenta com a sua popularidade se eleger e conseguir sua "boquinha". Pelas suas palavras, você percebe que o papel dele na eleição é ser divertido.

Sua postura caricata pedindo o seu voto, não é carregada de nenhuma critica bem humorada que seja ao sistema politico brasileiro. Ele encara o seu papel ali como legitimo e acha, realmente, que por ser divertido pode "ajudar os mais necessitados... inclusive sua familia" (ahahaha! Mó engraçadão né!).

No entanto, mesmo não querendo, ele joga nas nossas caras que essa nossa "democracia" é isso ai: brincadeira de palhaço (nos dois sentidos da palavra).


Em tempo: o Romário está se candidatando a deputado federal no Rio. Alguém avisou pra ele que Brasilia não tem praia?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A VELHA MONTANHA E EU


Meus amigos, da série “Eu não podia deixar de me despedir no Acre, sem nem mesmo ter conhecido antes” eu falo ainda estupefato da maravilha que tive o prazer de conhecer a pouco: Machu Pichu.

As ruínas Inca, pra nos acreanos é uma espécie de Cabo Frio para os cariocas: é logo ali. Aqui no feriadão, a gente vai é pro Peru (ui!....te mete com a gente!).

Meus amores, não passem por essa vida (me permitam o exagero) sem ter o prazer de conhecer Machu Pichu. É uma viagem absolutamente em conta (seja de onde você sair do Brasil) e Maravilhosa!

Definitivamente, apesar dos seus absurdos, o SER HUMANO É MUITO FODA! Como construir uma cidade a 2800 metros de altitude, manuseando milhões de toneladas de pedra no século XV?

Ta ai, uma viagem que poderíamos pensar em fazer juntos... o Fidel já falava nisso na faculdade. Reunir uma turma legal e viver aquilo.

Curtam um pouco disso tudo... e ai, vamos?

Colocando Machu Pichu em seu lugar...





domingo, 29 de agosto de 2010

EVANGELHISMO DO SEM SAÍDA


Fudido por fudido, quem se importa o que ocorreu...
Tu vai "alcançar a tua graça", mas 30% é meu!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INCENSO DO MUNDO


Já há algum tempo tive a oportunidade de ver o vídeo de uma palestra do líder seringueiro Chico Mendes na PUC do Rio de Janeiro em 1987, moderada por Carlos Walter Porto Gonçalves, um professor querido que tive o prazer de ter na minha graduação. No inicio da gravação Carlos Walter relatava sua dificuldade e a do Chico de chegar ao Rio de Janeiro naquele ano, em razão da fumaça ocasionada pelas queimadas na Amazônia, que provocavam o fechamento dos aeroportos.

Em setembro de 2003, quando acabava de chegar ao Acre e até aquele momento ainda não vira a floresta, escrevi numa crônica onde num trecho dizia:
"E foi respondida a grande questão do acreano que vos fala: encontramos a Amazônia! No momento ela está voando em cima da minha cabeça! Olha lá, aquela fumacinha deve ser um cumaru ou um jatobá! Já tem gente querendo manejar fumaça, pensando que é manejo florestal.... é rir pra não chorar! Pelo amor de Deus, alguém joga água nesta fogueira! Vocês precisam ver, de noite a lua fica laranja com aquela névoa de fumaça horrorosa. Maior clima de boate e os pilantras incendiários cantando: "Tô nem aí! Tô nem aí!" Aí, vem o meu amigo bêbado, vendo a lua laranja, aquela névoa toda e me diz: "Aí Felipe, olha que loucura, estão fumando a Amazônia!" De maior floresta, virou o maior maço do mundo.... caminhando e queimando nóis vai defendendo a floresta.”


Aí eu pergunto: o que mudou de 87 e 2003 para hoje? Nada, rigorosamente nada, eu te respondo. Há pelo menos 23 anos defumamos o mundo, queimando a Amazônia, e nada é feito para mudar essa realidade. Ah! E se anteriormente falei que nada mudou, minto: piorou. Esse ano foi igualado a estiagem recorde do ano de 2005, onde a chuva, somados os meses de junho, julho e agosto, chegou a apenas 31,5mm. Pra se ter uma idéia, no mesmo período em 2009 choveu 100,7mm.


Então você imagina um clima extremamente seco, com uma fumaça de marejar os olhos, provocando diversos problemas respiratórios? É assim que grande parte do Acre e Rondônia se encontra no momento. Os aeroportos de Porto Velho e Rio Branco invariavelmente vêm fechando por algum período, todos os dias, em virtude das fumaças. Respirar na Amazônia hoje, se não fosse tão vital, não seria nada recomendável.


Enquanto tudo vira cinza, a briga que “vale” mesmo é saber de quem é a fumaça: “Não, do Acre não é... Deve ser de Rondônia” “Isso é coisa do Mato Grosso” “Que nada, é da Bolívia”. Cada um empurra a fumaça pra debaixo do Estado do outro e nada se resolve.


Olhando isso é que ainda reafirmo a questão: o que queremos mesmo da Amazônia? Não vale brincar com as palavras dizendo que é preciso preservar o “pulmão do mundo”, blá, blá blá. Algo original vai... ou você já encontrou alguém que seja contra a floresta e o meio ambiente?


Pois é, enquanto tratarmos o meio ambiente e a Amazônia apenas com palavras de ordem, sem ações que de fato contenham o avanço da destruição da floresta e dos demais ecossistemas (porque não cortam o financiamento com dinheiro de banco público de quem destrói, por exemplo?), estaremos fadados a passar de pulmão para o incenso do mundo. Quem sabe não “energiza” o ambiente, né?


*publicado originalmente, em agosto de 2010, na revista eletrônica Verbo 21 na Coluna Verde Que Te Quero Verde (www.verbo21.com.br)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

VERDADES DEFINITIVAS DE UM TEMPO TRANSITÓRIO XX

Alguém dúvida?
O Brasil não faturou a Copa de 2010 mas vai superfaturar a de 2014

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Vô Paixão
24/11/1922 - 30/07/2010

Meus queridos, eu tenho um avô absolutamente fundamental na história da minha vida e da minha família. No ultimo dia 30 ele faleceu e deixou lembranças e um carinho inigualável. Não sei exatamente se aqui seria o espaço de colocar essa homenagem que fiz a ele em seu velório (talvez o melhor seria no blog do Diário). Mas como o Picaretas está carente de assunto, coloco por aqui mesmo. Só pra situar vocês: o meu avô tinha o apelido de Paixão e morava numa cidadezinha pequenininha do sul de Minas chamada São José do Alegre. Viva o Paixão!

Quando a família do Paixão se reúne é sempre para celebrar. Em geral é no Natal e isso é muito presente nas nossas vidas: quando juntos estamos, celebramos. E hoje mais uma vez todos reunidos... não poderia ser diferente. Celebremos o meu vô Paixão.

A história do meu avô sempre soou pra mim como um épico. É a partir dessas histórias contadas a mim que minha vó Dita e o vô Paixão se transformaram em verdadeiros heróis.

Década de 50 / São José do Alegre / TRABALHO / homem do campo/ sem dinheiro / humilde / TRABALHO / casamento / prefeito / caminhão / TRABALHO / 8 filhos / TODOS formados / TRABALHO / dificuldades financeiras / família unida.

Esse pequeno enredo resumido é o meu lastro, a minha bandeira que carrego com orgulho.

Muitas vezes tive dificuldades de entender a fala do vô Paixão. Ele tinha uma dicção difícil de compreender. Lembro de um dia, talvez já adolescente ou quem sabe já no início da faculdade, que eu resolvi observar o meu avô com mais atenção. Ele na roça plantando arroz, tocando o gado. Ele no quintal, sobe escada, desce escada, mexe dali, conserta daqui... sempre trabalhando. Incansável. Lembro, como hoje, nesse exercício de observar mais atentamente o meu avô, de chegar a seguinte conclusão: “Olha só! Por isso que o meu pai é assim”.

Pois é. Foi observando o meu avô que eu entendi o meu pai e mais: percebi que, com o vô Paixão, tudo o que ele passou para seus filhos e netos foi muito mais através do exemplo, da honradez, da ação do que pela palavra. Apesar de sua pouca intimidade com a palavra escrita ou falada, podemos dizer que no lidar, no trabalho, na humildade, na perseverança e no exemplo o meu vô era um poeta!

E apesar de sua imagem muitas vezes simplória, definitivamente, o vô Paixão não veio ao mundo a passeio. Ele com certeza é de um certo grupo de seres humanos, raros hoje em dia, que tiram de tão pouco e constroem grandes coisas. Fora seu legado para o Alegre, talvez a sua maior construção, em conjunto com a vó Dita, foi a nossa família. Se hoje somos o que somos, devemos muito ao amor e a persistência conjunta do Vô Paixão e da Vó Dita.

Pois então, é por isso que o orgulho de se neto do Paixão vem junto com a responsabilidade de ser neto do Paixão. Ser neto do Paixão, pra mim, é item de Currículo... Já imagino inclusive o empregador analisando a minha experiência e vê lá... “Hummmm! Esse é neto do Paixão. Deve ser bom e trabalhador... e um pouco teimoso.”

E hoje quando nós dizemos um “até mais” ao vô Paixão, eu prefiro celebrá-lo. A vida como a conhecemos padece... não tem jeito. E melhor mesmo é quando a ordem natural das coisas se impõe. Ela é soberana. Filhos se despedindo dos pais é a regra e que assim seja.

Pra terminar, tem uma frase que eu aprendi com um morador da floresta muito parecido com o meu avô, que diz mais ou menos o seguinte (os erros gramaticais são genuínos): “O mundo é duas porta: saber entrar e saber sair. Se ele entrar e não saber sair, lá na frente tá trancado, é igual a boca de um peixe. Ele não sai de lá nunca.(...) Se saber entrar e tratar as pessoas ele vira o mundo inteiro. O mundo inteiro.”

Por isso, peço que celebremos o meu avô que soube entrar e sair de nossas vidas deixando um rastro infinito de exemplos e amor. Hoje o mundo é seu Paixão!
Missão comprida e cumprida.
Vá com Deus!

Felipe Cruz Mendonça, 3º. neto do Paixão, filho do Marcelo
30 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

NÃO É GOL... É SONHO!

Copa do Mundo é sempre muito legal. Até quando ela é de futebol ruim, como essa que acabou, ela é muito legal. E essa teve dois episódios épicos ao meu ver. A primeira por ter sido na África com todo o seu simbolismo que não é necessário me alongar por aqui pra explicar. A outra, que me emocionou, foi o gol do Iniesta aos 10 minutos do 2o. tempo da prorrogação que deu o primeiro título de Campeão Mundial para a Espanha.

Me permita justificar esse último ponto: o futebol para nós homens é sonho de criança. Mesmo que a paixão pelo esporte vá esfriando a medida que vamos crescendo, não duvide que pra cada 10 homens bem sucedidos que você pergunte hoje se trocariam tudo pra ser um jogador de sucesso, 8 respondam que trocariam. Tá no imaginário, tá no sangue e na flor de pele.

E dentro do imaginário coletivo, que menino, como a gente, nunca chutou aquela bola que o espanhol acertou? Quem que algum dia correu atrás de uma pelota não teve o sonho de fazer o gol decisivo de final de Copa do Mundo, no final do jogo, dando o título pro seu país?

Pois é! Aquela bola já foi chutada por muitos. É o gol mais feito da história e apenas um foi real.

sábado, 19 de junho de 2010

AMOR DISSONANTE

Acompanhar e comentar a cena musical do Brasil e do mundo há tempos é trabalho de muitos jornalistas e apaixonados. A internet e sua façanha de proporcionar o acesso a “todos os sons do mundo”, fez com que ainda mais hoje se consuma música de todos os paises dessa enorme aldeia global.

Sons antes pouco acessados pela sua raridade e obscuridade, hoje estão disponíveis na grande rede para o acesso de todos. Sites e blogs especializados nascem na internet diariamente para “dar conta” de tamanho volume de informações, juntando tribos inteiras espalhados no mundo.

Entre esses canais especializados da musica, vem ganhando destaque nos últimos anos o blog Amor Louco. Conduzido pelo geógrafo carioca Tadeu Beirão (um dos nossos Picaretas) e o filósofo baiano Miguel Ângelo, o blog explora diferentes sons do mundo inteiro, obscuros ainda hoje, e que pouco é acessada pela grande mídia. Com mais de mil acessos diários, o Amor Louco vem conseguindo reunir uma tribo de apaixonados no mundo inteiro por ramificações nada populares do rock e outras expressões (ou artistas) pouco ouvidas.

Os Picaretas fizeram essa bate-papo que segue com o Tadeu e Miguel onde os mesmos explicam suas motivações musicais.

Picaretas – Como surgiu a idéia de criar o blog e de onde veio o nome “Amor Louco”?

Miguel (M) – Bem, na verdade tudo começou no dia em que fui apresentado ao Tadeu e a partir do momento em que passei a ler suas críticas musicais no blog dos Picaretas. Realmente tínhamos o mesmo gosto e achava que o Tadeu tinha quer ter um espaço para ele divulgar suas críticas musicais. Então coloquei a idéia de um blog na cabeça dele (não sei até que ponto ele já a tinha em mente) e fui viajar. Quando voltei, ele me mandou um e-mail dizendo que tinha criado um blog chamado Amor Louco e, se quisesse participar, as portas estavam abertas. Fiquei receoso no momento e entrei, inicialmente, apenas como colaborador, indicando bandas e fazendo um “marketing agressivo” para divulgar o blog. Hoje colaboro postando também e atendendo a pedidos, dentro do possível, e acho que estamos numa sintonia e dinâmica bem legais.

Tadeu (T) – Nasceu dessa forma que o Miguel comentou. Eu sempre gostei muito de música, de ouvir, ler, falar e escrever. Lembro que quando comprava umas fitas VHS com alguns shows sempre escrevia algo sobre o que rolava na fita e colava na capa, tipo “crítico musical”. O Blog foi a facilidade (da internet) de fazer isso de uma forma mais “real”. Trocar idéia sobre música, esse é o objetivo, escrever e ter resposta. O nome veio dessa paixão pela música e de uma conexão com o tipo de música que estaria ali, o Fellini (banda queridíssima) tem um disco chamado “Amor Louco”, aliás foi o primeiro disco postado.

Picaretas – Como podemos classificar o estilo musical das bandas apresentadas no Amor Louco?

(T) – Não podemos classificar. Claro que você encontra um número maior de referências Shoegazer, Pós-Punk, Dreampop e afins, mas nada impede de você dar de cara com um disco do Walter Franco (MPB) e segundos depois achar algo do Ministry (Industrial, Hardcore)... procuramos deixar claro a “linha dos discos”, mas o blog é livre.

(M) – Os estilos são anunciados em cada postagem. A nossa linha é o Shoegazer, mas procuramos trabalhar e divulgar outros estilos do rock (indie, pós-punk, britpop, new wave, eletrônica, pop, etc.), não fazendo discriminação de país e nos concentrando no cenário musical mundial do final dos anos 70 para cá.

Picaretas – Muitas das postagens no blog são de bandas na linha do Shoegazer. Vocês poderiam nos contar um pouco de onde nasceu, a história, e as influências deste estilo musical?

(M) – Bem, minha geração é aquela que se nutriu com a música dos anos 80. Passei minha adolescência ouvindo e comprando os vinis de bandas como The Cure, Happy Mondays, Pixies, Smiths, Cocteau Twins, My Blood Valentine, Jesus and Mary Chain, Vizyado Moe, Pin Ups, Defalla, Maria Angélica, Black Future, entre muitos outros. Quando ouvi, em 89, o primeiro álbum do My Bood Valentine (“Isn't Anything”), fiquei encantado com esse barulho todo. Mas quem realmente já tinha me deixado perplexo foi Jesus and Mary Chain com "Psychocandy", que é de 85. Salvador naquela época tinha apenas alguns guetos para se comprar e curtir esse som. O que gosto no Shoegazer, que começou na Inglaterra nos anos 80, é a alta distorção das guitarras em meio às vozes etéreas, criando uma sensação de pleno vôo. Hoje me interessa muito esse tipo de música feito em países asiáticos.

(T) – Pois é, o Miguel é um pouco mais velho que eu, vivenciou coisas no exato momento que eu só pude conferir correndo pelos sebos aqui do Rio. Meu primeiro contato com o Shoegazer foi em uma matéria da extinta revista Bizz (em 1991 eu acho). A matéria dizia que literalmente Shoegazer significava “fitar os sapatos”, isso em função das letras tristonhas e do estilo cabisbaixo de se encarar o público, e o mundo de uma forma geral (por isso olhavam para os sapatos), a microfonia e os vocais soterrados em muralhas de guitarras seriam uma espécie de “proteção”... Sorte a nossa.

Picaretas – Como as novas mídias vêm transformando a cena musical no mundo, em especial, os estilos musicais que vocês privilegiam no blog?

(M) - A Internet tem nos ajudado muito a conseguir bandas que nem imaginávamos ouvir algum dia. Os trabalhos mais independentes ganharam a possibilidade de estarem aí para qualquer um e acho isso muito positivo. Mas, por outro lado, os problemas com as grandes gravadoras aumentaram. Vejo o blog como uma ferramenta de difusão da música, do rock que nos interessa. Se um artista pede para retirarmos o link, será atendido imediatamente, mas, caso contrário, estará lá para todos. Não visamos lucro algum, mas apenas mostrar para o mundo o que curtimos. E se o blog é um bom canal para as bandas novas, das quais gostamos, que a música seja livre. Não acredito no império da dominação musical. Daí a minha curiosidade por querer saber, em termos de Shoegazer ou de “música obscura”, o que acontece na Ásia.

(T) – Tem banda que não lança nada físico, só pela internet. O que não é necessariamente legal, afinal mesmo com esse turbilhão de coisas on-line continuamos gastando bastante dinheiro mensalmente comprando discos. Agora é claro que ficou mais fácil a divulgação, o romantismo pode ter diminuído, mas é fantástico você poder ter discos que certamente você não conseguiria por um preço minimamente justo. Ainda mais nessa área underground, mais obscura, a divulgação era raríssima e ter material de algumas bandas muito difícil.

Picaretas - Dá pra dizer que os estilos musicais ditos obscuros são mais populares hoje do que uma década atrás em função da popularização da internet? Tem se mantido a mesma qualidade musical nesse novo cenário de exposição?

(T) – Não sei...você vai num show aqui no Rio e encontra meia dúzia de pessoas. Antes tinham mais, mesmo com uma divulgação menor. Não sei exatamente se essa facilidade significa que tenha se tornado mais popular, continuo sem achar no meu dia-a-dia quem goste desse tipo de música, continuo sofrendo pra achar os discos, continuo sem ouvir rádios, pois elas não tocam esse tipo de música, as revistas acabaram. Acho que mesmo com o boom na internet (indiscutível) esses outros “lados” deviam caminhar juntos, caso fossem mais populares. Quanto a qualidade, ontem e hoje existem coisas boas e ruins, é só procurar.

(M) – Diria que a qualidade musical é outra e muita coisa boa e ruim estão surgindo. Com a Internet a popularidade aumenta com certeza, mas o interesse nas bandas é mais fútil e passageiro. A alegria e o prazer de receber um vinil ou cd em casa via correio está sendo cada vez mais uma sensação descartável. É preciso ter cuidado com a facilidade oferecida pela Internet. A divulgação pelos blogs é um meio de facilidade, não nego, mas tudo depende das complexas relações entre mídia, bandas, gravadoras e público.

Picaretas – A disponibilização sem custos dos álbuns que vocês postam na internet vem sendo a grande dor de cabeça das gravadoras que sobrevivem de vender discos e ainda não se adaptaram a essa nova realidade. A disponibilização na internet passou a ser o único caminho? Como vocês vêem o futuro dos álbuns de música?

(T) – Você tem que diferenciar essas gravadoras. Os discos que “somem” do Amor Louco são os discos de gravadoras como Warner, Sony e afins, ou seja, as grandes gravadoras, você acha que são os blogs que são os problemas pra essa gravadora? Cara, um cd nacional no Brasil é R$ 40,00, esse é o problema. Se a gravadora fosse esperta o blog seria divulgação. Eu e Miguel continuamos comprando cd. Agora se uma micro gravadora ficar chateada com o disco lá no blog nós tiramos, esse cara sim está sendo prejudicado, mas quase sempre o cara da pequena gravadora gosta, pois é divulgação. Não sei qual é o futuro, sei que vou continuar consumindo e curtindo. Espero que tenham qualidade, só isso.

(M) – Para mim, o futuro dos álbuns não é o vinil, não é o cd e nem as mídias digitais, mas aquele que você preserva para si mesmo. Há pessoas que não largam o vinil por nada, outras preferem o cd, outras o mp3, mp4, flac, etc., com seus pen drivers. O importante é não perder a sintonia mágica provocada pela música, da qual acredito e cultivo nas minhas coleções, seja em vinil, cd ou música digital.

Picaretas – Como é essa pressão que vocês sofrem de algumas bandas ou gravadoras por postar os seus álbuns no blog?

(M) – Quando postamos algumas bandas alternativas de renome, fomos repreendidos. Então resolvemos dar uma linha mais “obscura” às postagens. De lá para cá, só duas ou três bandas pediram para retirar o link. Outras, nos mandam pelo e-mail do Amor Louco o álbum, a capa, e nos dizem: “Fiquem à vontade”. Se gostamos, divulgamos.

(T) – É isso. Algumas bandas pedem e tiramos, outras nem dão chances (quando são maiores) o blogspot já deleta e depois manda um comunicado dizendo que o blog pode “sumir” caso volte a acontecer. Mas no geral as bandas agradecem e mandam material.

Picaretas - Para finalizar, que inovações virão no blog Amor Louco?

(M) – Fizemos, por insistência dos amigos, o twitter do Amor Louco. O Tadeu lançou no blog a sessão Discografia, que achei o máximo. Talvez façamos algumas camisas para o pessoal mais próximo ao blog. O Amor Louco está crescendo cada vez mais (são mais de 30.000 visitas mensais!) e espero continuar esse trabalho prazeroso de divulgação do que gostamos de ouvir.

(T) – Essa coisa de “inovações” é com o Miguel... ele tem carta branca.