quarta-feira, 25 de agosto de 2010

INCENSO DO MUNDO


Já há algum tempo tive a oportunidade de ver o vídeo de uma palestra do líder seringueiro Chico Mendes na PUC do Rio de Janeiro em 1987, moderada por Carlos Walter Porto Gonçalves, um professor querido que tive o prazer de ter na minha graduação. No inicio da gravação Carlos Walter relatava sua dificuldade e a do Chico de chegar ao Rio de Janeiro naquele ano, em razão da fumaça ocasionada pelas queimadas na Amazônia, que provocavam o fechamento dos aeroportos.

Em setembro de 2003, quando acabava de chegar ao Acre e até aquele momento ainda não vira a floresta, escrevi numa crônica onde num trecho dizia:
"E foi respondida a grande questão do acreano que vos fala: encontramos a Amazônia! No momento ela está voando em cima da minha cabeça! Olha lá, aquela fumacinha deve ser um cumaru ou um jatobá! Já tem gente querendo manejar fumaça, pensando que é manejo florestal.... é rir pra não chorar! Pelo amor de Deus, alguém joga água nesta fogueira! Vocês precisam ver, de noite a lua fica laranja com aquela névoa de fumaça horrorosa. Maior clima de boate e os pilantras incendiários cantando: "Tô nem aí! Tô nem aí!" Aí, vem o meu amigo bêbado, vendo a lua laranja, aquela névoa toda e me diz: "Aí Felipe, olha que loucura, estão fumando a Amazônia!" De maior floresta, virou o maior maço do mundo.... caminhando e queimando nóis vai defendendo a floresta.”


Aí eu pergunto: o que mudou de 87 e 2003 para hoje? Nada, rigorosamente nada, eu te respondo. Há pelo menos 23 anos defumamos o mundo, queimando a Amazônia, e nada é feito para mudar essa realidade. Ah! E se anteriormente falei que nada mudou, minto: piorou. Esse ano foi igualado a estiagem recorde do ano de 2005, onde a chuva, somados os meses de junho, julho e agosto, chegou a apenas 31,5mm. Pra se ter uma idéia, no mesmo período em 2009 choveu 100,7mm.


Então você imagina um clima extremamente seco, com uma fumaça de marejar os olhos, provocando diversos problemas respiratórios? É assim que grande parte do Acre e Rondônia se encontra no momento. Os aeroportos de Porto Velho e Rio Branco invariavelmente vêm fechando por algum período, todos os dias, em virtude das fumaças. Respirar na Amazônia hoje, se não fosse tão vital, não seria nada recomendável.


Enquanto tudo vira cinza, a briga que “vale” mesmo é saber de quem é a fumaça: “Não, do Acre não é... Deve ser de Rondônia” “Isso é coisa do Mato Grosso” “Que nada, é da Bolívia”. Cada um empurra a fumaça pra debaixo do Estado do outro e nada se resolve.


Olhando isso é que ainda reafirmo a questão: o que queremos mesmo da Amazônia? Não vale brincar com as palavras dizendo que é preciso preservar o “pulmão do mundo”, blá, blá blá. Algo original vai... ou você já encontrou alguém que seja contra a floresta e o meio ambiente?


Pois é, enquanto tratarmos o meio ambiente e a Amazônia apenas com palavras de ordem, sem ações que de fato contenham o avanço da destruição da floresta e dos demais ecossistemas (porque não cortam o financiamento com dinheiro de banco público de quem destrói, por exemplo?), estaremos fadados a passar de pulmão para o incenso do mundo. Quem sabe não “energiza” o ambiente, né?


*publicado originalmente, em agosto de 2010, na revista eletrônica Verbo 21 na Coluna Verde Que Te Quero Verde (www.verbo21.com.br)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

VERDADES DEFINITIVAS DE UM TEMPO TRANSITÓRIO XX

Alguém dúvida?
O Brasil não faturou a Copa de 2010 mas vai superfaturar a de 2014

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POR QUEM OS SINOS DOBRAM


Vô Paixão
24/11/1922 - 30/07/2010

Meus queridos, eu tenho um avô absolutamente fundamental na história da minha vida e da minha família. No ultimo dia 30 ele faleceu e deixou lembranças e um carinho inigualável. Não sei exatamente se aqui seria o espaço de colocar essa homenagem que fiz a ele em seu velório (talvez o melhor seria no blog do Diário). Mas como o Picaretas está carente de assunto, coloco por aqui mesmo. Só pra situar vocês: o meu avô tinha o apelido de Paixão e morava numa cidadezinha pequenininha do sul de Minas chamada São José do Alegre. Viva o Paixão!

Quando a família do Paixão se reúne é sempre para celebrar. Em geral é no Natal e isso é muito presente nas nossas vidas: quando juntos estamos, celebramos. E hoje mais uma vez todos reunidos... não poderia ser diferente. Celebremos o meu vô Paixão.

A história do meu avô sempre soou pra mim como um épico. É a partir dessas histórias contadas a mim que minha vó Dita e o vô Paixão se transformaram em verdadeiros heróis.

Década de 50 / São José do Alegre / TRABALHO / homem do campo/ sem dinheiro / humilde / TRABALHO / casamento / prefeito / caminhão / TRABALHO / 8 filhos / TODOS formados / TRABALHO / dificuldades financeiras / família unida.

Esse pequeno enredo resumido é o meu lastro, a minha bandeira que carrego com orgulho.

Muitas vezes tive dificuldades de entender a fala do vô Paixão. Ele tinha uma dicção difícil de compreender. Lembro de um dia, talvez já adolescente ou quem sabe já no início da faculdade, que eu resolvi observar o meu avô com mais atenção. Ele na roça plantando arroz, tocando o gado. Ele no quintal, sobe escada, desce escada, mexe dali, conserta daqui... sempre trabalhando. Incansável. Lembro, como hoje, nesse exercício de observar mais atentamente o meu avô, de chegar a seguinte conclusão: “Olha só! Por isso que o meu pai é assim”.

Pois é. Foi observando o meu avô que eu entendi o meu pai e mais: percebi que, com o vô Paixão, tudo o que ele passou para seus filhos e netos foi muito mais através do exemplo, da honradez, da ação do que pela palavra. Apesar de sua pouca intimidade com a palavra escrita ou falada, podemos dizer que no lidar, no trabalho, na humildade, na perseverança e no exemplo o meu vô era um poeta!

E apesar de sua imagem muitas vezes simplória, definitivamente, o vô Paixão não veio ao mundo a passeio. Ele com certeza é de um certo grupo de seres humanos, raros hoje em dia, que tiram de tão pouco e constroem grandes coisas. Fora seu legado para o Alegre, talvez a sua maior construção, em conjunto com a vó Dita, foi a nossa família. Se hoje somos o que somos, devemos muito ao amor e a persistência conjunta do Vô Paixão e da Vó Dita.

Pois então, é por isso que o orgulho de se neto do Paixão vem junto com a responsabilidade de ser neto do Paixão. Ser neto do Paixão, pra mim, é item de Currículo... Já imagino inclusive o empregador analisando a minha experiência e vê lá... “Hummmm! Esse é neto do Paixão. Deve ser bom e trabalhador... e um pouco teimoso.”

E hoje quando nós dizemos um “até mais” ao vô Paixão, eu prefiro celebrá-lo. A vida como a conhecemos padece... não tem jeito. E melhor mesmo é quando a ordem natural das coisas se impõe. Ela é soberana. Filhos se despedindo dos pais é a regra e que assim seja.

Pra terminar, tem uma frase que eu aprendi com um morador da floresta muito parecido com o meu avô, que diz mais ou menos o seguinte (os erros gramaticais são genuínos): “O mundo é duas porta: saber entrar e saber sair. Se ele entrar e não saber sair, lá na frente tá trancado, é igual a boca de um peixe. Ele não sai de lá nunca.(...) Se saber entrar e tratar as pessoas ele vira o mundo inteiro. O mundo inteiro.”

Por isso, peço que celebremos o meu avô que soube entrar e sair de nossas vidas deixando um rastro infinito de exemplos e amor. Hoje o mundo é seu Paixão!
Missão comprida e cumprida.
Vá com Deus!

Felipe Cruz Mendonça, 3º. neto do Paixão, filho do Marcelo
30 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

NÃO É GOL... É SONHO!

Copa do Mundo é sempre muito legal. Até quando ela é de futebol ruim, como essa que acabou, ela é muito legal. E essa teve dois episódios épicos ao meu ver. A primeira por ter sido na África com todo o seu simbolismo que não é necessário me alongar por aqui pra explicar. A outra, que me emocionou, foi o gol do Iniesta aos 10 minutos do 2o. tempo da prorrogação que deu o primeiro título de Campeão Mundial para a Espanha.

Me permita justificar esse último ponto: o futebol para nós homens é sonho de criança. Mesmo que a paixão pelo esporte vá esfriando a medida que vamos crescendo, não duvide que pra cada 10 homens bem sucedidos que você pergunte hoje se trocariam tudo pra ser um jogador de sucesso, 8 respondam que trocariam. Tá no imaginário, tá no sangue e na flor de pele.

E dentro do imaginário coletivo, que menino, como a gente, nunca chutou aquela bola que o espanhol acertou? Quem que algum dia correu atrás de uma pelota não teve o sonho de fazer o gol decisivo de final de Copa do Mundo, no final do jogo, dando o título pro seu país?

Pois é! Aquela bola já foi chutada por muitos. É o gol mais feito da história e apenas um foi real.

sábado, 19 de junho de 2010

AMOR DISSONANTE

Acompanhar e comentar a cena musical do Brasil e do mundo há tempos é trabalho de muitos jornalistas e apaixonados. A internet e sua façanha de proporcionar o acesso a “todos os sons do mundo”, fez com que ainda mais hoje se consuma música de todos os paises dessa enorme aldeia global.

Sons antes pouco acessados pela sua raridade e obscuridade, hoje estão disponíveis na grande rede para o acesso de todos. Sites e blogs especializados nascem na internet diariamente para “dar conta” de tamanho volume de informações, juntando tribos inteiras espalhados no mundo.

Entre esses canais especializados da musica, vem ganhando destaque nos últimos anos o blog Amor Louco. Conduzido pelo geógrafo carioca Tadeu Beirão (um dos nossos Picaretas) e o filósofo baiano Miguel Ângelo, o blog explora diferentes sons do mundo inteiro, obscuros ainda hoje, e que pouco é acessada pela grande mídia. Com mais de mil acessos diários, o Amor Louco vem conseguindo reunir uma tribo de apaixonados no mundo inteiro por ramificações nada populares do rock e outras expressões (ou artistas) pouco ouvidas.

Os Picaretas fizeram essa bate-papo que segue com o Tadeu e Miguel onde os mesmos explicam suas motivações musicais.

Picaretas – Como surgiu a idéia de criar o blog e de onde veio o nome “Amor Louco”?

Miguel (M) – Bem, na verdade tudo começou no dia em que fui apresentado ao Tadeu e a partir do momento em que passei a ler suas críticas musicais no blog dos Picaretas. Realmente tínhamos o mesmo gosto e achava que o Tadeu tinha quer ter um espaço para ele divulgar suas críticas musicais. Então coloquei a idéia de um blog na cabeça dele (não sei até que ponto ele já a tinha em mente) e fui viajar. Quando voltei, ele me mandou um e-mail dizendo que tinha criado um blog chamado Amor Louco e, se quisesse participar, as portas estavam abertas. Fiquei receoso no momento e entrei, inicialmente, apenas como colaborador, indicando bandas e fazendo um “marketing agressivo” para divulgar o blog. Hoje colaboro postando também e atendendo a pedidos, dentro do possível, e acho que estamos numa sintonia e dinâmica bem legais.

Tadeu (T) – Nasceu dessa forma que o Miguel comentou. Eu sempre gostei muito de música, de ouvir, ler, falar e escrever. Lembro que quando comprava umas fitas VHS com alguns shows sempre escrevia algo sobre o que rolava na fita e colava na capa, tipo “crítico musical”. O Blog foi a facilidade (da internet) de fazer isso de uma forma mais “real”. Trocar idéia sobre música, esse é o objetivo, escrever e ter resposta. O nome veio dessa paixão pela música e de uma conexão com o tipo de música que estaria ali, o Fellini (banda queridíssima) tem um disco chamado “Amor Louco”, aliás foi o primeiro disco postado.

Picaretas – Como podemos classificar o estilo musical das bandas apresentadas no Amor Louco?

(T) – Não podemos classificar. Claro que você encontra um número maior de referências Shoegazer, Pós-Punk, Dreampop e afins, mas nada impede de você dar de cara com um disco do Walter Franco (MPB) e segundos depois achar algo do Ministry (Industrial, Hardcore)... procuramos deixar claro a “linha dos discos”, mas o blog é livre.

(M) – Os estilos são anunciados em cada postagem. A nossa linha é o Shoegazer, mas procuramos trabalhar e divulgar outros estilos do rock (indie, pós-punk, britpop, new wave, eletrônica, pop, etc.), não fazendo discriminação de país e nos concentrando no cenário musical mundial do final dos anos 70 para cá.

Picaretas – Muitas das postagens no blog são de bandas na linha do Shoegazer. Vocês poderiam nos contar um pouco de onde nasceu, a história, e as influências deste estilo musical?

(M) – Bem, minha geração é aquela que se nutriu com a música dos anos 80. Passei minha adolescência ouvindo e comprando os vinis de bandas como The Cure, Happy Mondays, Pixies, Smiths, Cocteau Twins, My Blood Valentine, Jesus and Mary Chain, Vizyado Moe, Pin Ups, Defalla, Maria Angélica, Black Future, entre muitos outros. Quando ouvi, em 89, o primeiro álbum do My Bood Valentine (“Isn't Anything”), fiquei encantado com esse barulho todo. Mas quem realmente já tinha me deixado perplexo foi Jesus and Mary Chain com "Psychocandy", que é de 85. Salvador naquela época tinha apenas alguns guetos para se comprar e curtir esse som. O que gosto no Shoegazer, que começou na Inglaterra nos anos 80, é a alta distorção das guitarras em meio às vozes etéreas, criando uma sensação de pleno vôo. Hoje me interessa muito esse tipo de música feito em países asiáticos.

(T) – Pois é, o Miguel é um pouco mais velho que eu, vivenciou coisas no exato momento que eu só pude conferir correndo pelos sebos aqui do Rio. Meu primeiro contato com o Shoegazer foi em uma matéria da extinta revista Bizz (em 1991 eu acho). A matéria dizia que literalmente Shoegazer significava “fitar os sapatos”, isso em função das letras tristonhas e do estilo cabisbaixo de se encarar o público, e o mundo de uma forma geral (por isso olhavam para os sapatos), a microfonia e os vocais soterrados em muralhas de guitarras seriam uma espécie de “proteção”... Sorte a nossa.

Picaretas – Como as novas mídias vêm transformando a cena musical no mundo, em especial, os estilos musicais que vocês privilegiam no blog?

(M) - A Internet tem nos ajudado muito a conseguir bandas que nem imaginávamos ouvir algum dia. Os trabalhos mais independentes ganharam a possibilidade de estarem aí para qualquer um e acho isso muito positivo. Mas, por outro lado, os problemas com as grandes gravadoras aumentaram. Vejo o blog como uma ferramenta de difusão da música, do rock que nos interessa. Se um artista pede para retirarmos o link, será atendido imediatamente, mas, caso contrário, estará lá para todos. Não visamos lucro algum, mas apenas mostrar para o mundo o que curtimos. E se o blog é um bom canal para as bandas novas, das quais gostamos, que a música seja livre. Não acredito no império da dominação musical. Daí a minha curiosidade por querer saber, em termos de Shoegazer ou de “música obscura”, o que acontece na Ásia.

(T) – Tem banda que não lança nada físico, só pela internet. O que não é necessariamente legal, afinal mesmo com esse turbilhão de coisas on-line continuamos gastando bastante dinheiro mensalmente comprando discos. Agora é claro que ficou mais fácil a divulgação, o romantismo pode ter diminuído, mas é fantástico você poder ter discos que certamente você não conseguiria por um preço minimamente justo. Ainda mais nessa área underground, mais obscura, a divulgação era raríssima e ter material de algumas bandas muito difícil.

Picaretas - Dá pra dizer que os estilos musicais ditos obscuros são mais populares hoje do que uma década atrás em função da popularização da internet? Tem se mantido a mesma qualidade musical nesse novo cenário de exposição?

(T) – Não sei...você vai num show aqui no Rio e encontra meia dúzia de pessoas. Antes tinham mais, mesmo com uma divulgação menor. Não sei exatamente se essa facilidade significa que tenha se tornado mais popular, continuo sem achar no meu dia-a-dia quem goste desse tipo de música, continuo sofrendo pra achar os discos, continuo sem ouvir rádios, pois elas não tocam esse tipo de música, as revistas acabaram. Acho que mesmo com o boom na internet (indiscutível) esses outros “lados” deviam caminhar juntos, caso fossem mais populares. Quanto a qualidade, ontem e hoje existem coisas boas e ruins, é só procurar.

(M) – Diria que a qualidade musical é outra e muita coisa boa e ruim estão surgindo. Com a Internet a popularidade aumenta com certeza, mas o interesse nas bandas é mais fútil e passageiro. A alegria e o prazer de receber um vinil ou cd em casa via correio está sendo cada vez mais uma sensação descartável. É preciso ter cuidado com a facilidade oferecida pela Internet. A divulgação pelos blogs é um meio de facilidade, não nego, mas tudo depende das complexas relações entre mídia, bandas, gravadoras e público.

Picaretas – A disponibilização sem custos dos álbuns que vocês postam na internet vem sendo a grande dor de cabeça das gravadoras que sobrevivem de vender discos e ainda não se adaptaram a essa nova realidade. A disponibilização na internet passou a ser o único caminho? Como vocês vêem o futuro dos álbuns de música?

(T) – Você tem que diferenciar essas gravadoras. Os discos que “somem” do Amor Louco são os discos de gravadoras como Warner, Sony e afins, ou seja, as grandes gravadoras, você acha que são os blogs que são os problemas pra essa gravadora? Cara, um cd nacional no Brasil é R$ 40,00, esse é o problema. Se a gravadora fosse esperta o blog seria divulgação. Eu e Miguel continuamos comprando cd. Agora se uma micro gravadora ficar chateada com o disco lá no blog nós tiramos, esse cara sim está sendo prejudicado, mas quase sempre o cara da pequena gravadora gosta, pois é divulgação. Não sei qual é o futuro, sei que vou continuar consumindo e curtindo. Espero que tenham qualidade, só isso.

(M) – Para mim, o futuro dos álbuns não é o vinil, não é o cd e nem as mídias digitais, mas aquele que você preserva para si mesmo. Há pessoas que não largam o vinil por nada, outras preferem o cd, outras o mp3, mp4, flac, etc., com seus pen drivers. O importante é não perder a sintonia mágica provocada pela música, da qual acredito e cultivo nas minhas coleções, seja em vinil, cd ou música digital.

Picaretas – Como é essa pressão que vocês sofrem de algumas bandas ou gravadoras por postar os seus álbuns no blog?

(M) – Quando postamos algumas bandas alternativas de renome, fomos repreendidos. Então resolvemos dar uma linha mais “obscura” às postagens. De lá para cá, só duas ou três bandas pediram para retirar o link. Outras, nos mandam pelo e-mail do Amor Louco o álbum, a capa, e nos dizem: “Fiquem à vontade”. Se gostamos, divulgamos.

(T) – É isso. Algumas bandas pedem e tiramos, outras nem dão chances (quando são maiores) o blogspot já deleta e depois manda um comunicado dizendo que o blog pode “sumir” caso volte a acontecer. Mas no geral as bandas agradecem e mandam material.

Picaretas - Para finalizar, que inovações virão no blog Amor Louco?

(M) – Fizemos, por insistência dos amigos, o twitter do Amor Louco. O Tadeu lançou no blog a sessão Discografia, que achei o máximo. Talvez façamos algumas camisas para o pessoal mais próximo ao blog. O Amor Louco está crescendo cada vez mais (são mais de 30.000 visitas mensais!) e espero continuar esse trabalho prazeroso de divulgação do que gostamos de ouvir.

(T) – Essa coisa de “inovações” é com o Miguel... ele tem carta branca.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ADESÃO VOLUNTÁRIA... VAI QUERER?



Mais uma vez o tal do rombo da previdência toma a mídia. Claro que em época de Copa, toma muito pouquinho dela (afinal, futebol é coisa séria e mais importante, venhamos e convenhamos!). E o assunto volta a baila em virtude do aumento sancionado pelo Presidente para os aposentados no valor de 7,7%. O Guido Mantega e o Paulo Bernardo deram um pulo. Afinal, o tal do rombo da previdência vai aumentar ainda mais.

Mas eu sempre me pergunto: cadê essa conta? Eu queria ver onde está o rombo na tal previdência. Coisa simples, do tipo: o que é arrecadado menos onde é gasto. Será que a sua contribuição retirada do seu salário mensalmente é todo convertido na previdência? Confesso mesmo que tenho dúvidas. E outra: vá lá! Admitamos que realmente tenha o rombo. Ai eu pergunto: e daí? Desde quando política social tem que ter balanço financeiro positivo? Percebem? A Previdência Social é a maior política pública social que o Brasil tem. Beneficia uma grande parcela da população, aumentando inclusive o poder aquisitivo de muitas famílias. Eu diria até que o impacto dela nas populações rurais, por exemplo, é enorme. Vide o exemplo da Arapixi: as aposentadorias é de longe a política pública que mais beneficia essas populações. Uma família que tem entre seus membros um aposentado diferencia-se, a olhos vistos, em conquistas materiais das famílias que não possuem aposentados. Muitas dessas familias do campo e da floresta conseguem ascender financeiramente apenas depois de aposentados (o que é cruel depois de uma vida toda sofrida e de carência, diga-se de passagem)

Quem sabe o problema do rombo esteja na corrupção que esse dinheiro constantemente é alvo, fruto de aposentadorias abusivas, da "mão ligeira" de muitos "administrador" sobre tamanho recurso, entre outros desvios. Ai eu penso em outro aspecto: porque será que qualquer governo chia tanto pra dar aumentos irrisórios a aposentados e não faz o mesmo quando é pra aumentar salários de juizes, parlamentares, desembargadores e toda aquelas profissões que circundam a corte do poder? Por exemplo, você sabia que um servidor de nível médio da Câmara Federal (do tipo tirador de cópias) recebe mais do que um Analista Ambiental com doutorado no IBAMA ou qualquer outro professor universitário? Rombo mesmo está nos salários dessas pessoas.

Pois é meus amigos, durma-se com essa chiadeira toda. Diante de tamanha celeuma, eu já estou esperando o governo fazer um programa de adesão voluntária pra tentar resolver o tal rombo da Previdência. A propaganda seria algo assim: "Você aposentado ou pensionista que quer colaborar com um país melhor, se quiser morrer logo, pagamos o seu caixão e todas as despesas do funeral. Ah! E se não deixar pensão pra pagar, garantimos uma audiência com o Todo Poderoso. Morra e ajude a aliviar o rombo na Previdência, afinal, tu já tá mais pra lá do que pra cá, vamu combinar!"
Ah! ah! ah! E aí, vai aderir?

MANJA A VUVUZELA?

Pois é, você manja a tão falada Vuvuzela. O grande problema pra mim é o seguinte: O meu prédio, um lugar pacato e silencioso, se transformou em um estádio sul-africano. Quando você menos espera surge o potente e assombroso som, e o pior o som pode aparecer depois de um gol da Eslovênia às 9:00 da manhã. Essas cornetas sempre rolaram por aqui, mas esse ano a "pressão" tá "no máximo". Tô querendo um adesivo desse aí (já encontrado em alguns lugares de Joanesburgo). Ah se eu sou síndico...rs.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ACEITA PEDIDO?


Eu lhe garanto que não é uma mesma pessoa. Sério! Não se trata de um obstinado com seu violão na mão que pula de bar em bar em busca de juntar algum. Apesar de idênticos os famigerados cantores de barzinho são vários, muitos, cada vez mais e... todos iguais! Não é possível!

Não sei por aí na Guanabara, mas aqui no Aquiry essa espécie de gente possui a mesma pasta de repertório. Sabe aquelas de folhas de plástico usadas muito para colecionar papel de carta? Pois é! Eles possuem a mesma pasta com as mesmas músicas e, ao que me parece, freqüentam o mesmo professor de canto. Pode ser birra minha (e é claro que é isso mesmo), mas a impressão é que todos cantam no mesmo "tom pastel": tão vibrante quanto uma plantação de chuchu.

O repertório é um caso a parte. Mais óbvio, impossível. Ninguém inova e arrisca sair da mesmice. Sempre os mesmos chavões. É claro tem as músicas de época... mas é uma época loooonga. Imagino que eles devem mudar de músicas em ano bissexto ou a cada passagem do Halley...enfim mas, acreditem, vira e mexe você por aqui ainda houve Andança, aquela do "trocando de biquini sem parar" e a antiga overdose do momento: aquela do Baleiro "Eu tava triste, tristinho, mais sem graça que a top model magrela na passarela ". Rapaz, eu vou te dizer: essa daí já deve ter morrido de bulimia e o cara tá num fosso depressivo de tão tristinho que ele ficou.

Saca “aquelas do Djavan”? Tem também "aquelas do Vercilo"... Putz! Não tem um pra tocar um Rebollation que seja pra pelo menos alguém xiar e perceber que estão tocando ali no canto. Ah! E toda noite, é claro, tem um aniversariante. Que beleza! E junto com o aniversariante tem o amigo brilhante que “de surpresa” leva um bolinho e pede pro cantor tocar um parabéns. Aí é o ápice! Juro pra vocês que tem um cantor aqui que toca um Parabéns pra Você com voz e violão meio a lá João Gilberto, que da ultima vez que participei de uma “festinha dessas”, quando tava no "...muitas felicidades, muitos anos de vida" o aniversariante deu uma cochilada. É mole?

Por isso que um amigo meu não teve paciência não. Um dia desses, ele num canto do bar e o cantor no outro gritou:
- Aí cantor! Tu aceita pedido?
- Opa! É claro, manda aí!
- Então dá um tempinho, pelo amor de Deus!
Ah! Ah! Ah! Tava ruim mesmo!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ALGUÉM TEM O ANDRÉ SANTOS AÍ?


Talvez um dos grandes prazeres que minha infância me proporcionou foi colecionar álbum de figurinha. Na verdade, não sei se realmente foi um dos maiores prazeres da minha infância, mas já que não ando jogando volei e futebol num espaço improvisado no play do prédio, não ando brincando de salada de fruta por "motivos de força maior" e o meu time de botão há tempos se aposentou, só me restou relembrar o gostinho pelas figurinhas.

Não sei de onde saiu a idéia, mas desde o último sábado venho colecionando o álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Tem algo mais retrô que isso? E vou te falar: tá uma delícia. O álbum dessa Copa é mais bonitinho e continua com o mesmo charme. Hoje inclusive você não paga pelo álbum... só compra os pacotinhos de figurinhas a 0,75 de Real e pega de graça o álbum na banca. Eu tenho a impressão que naquela época a gente tinha que comprar o álbum né? Enfim, abrir o pacotinho de figurinhas continua com a mesma graça: sempre na expectativa do que virá e muito puto quando as 5 que vem é tudo repetida. Pô! Muito legal.

Lembro que sempre gostei muito de colecionar álbuns de figurinha, mas nunca conseguia completá-los. Minha mãe (culpada igual a sua) jogava isso na minha cara sempre quando eu chegava com um álbum de figurinhas em casa (depois do meu pai, na moita, ter me dado algum$$ pra isso). Ela me enchia de frases do tipo "Quero ver sustentar esse álbum!" "Não sei por que comprar...nunca completou um".

Abro parênteses. Imaginou se fosse hoje? Alguém do juizado de menores ou do MP já teria ameaçado minha mãe de perder minha guarda, obrigando a ela pagar uma tratamento psicológico com acusações do tipo "incutir em cabeça de menor desprotegido sentimentos de derrota e fraqueza". Já posso ver a tia Marina Tanaka, coordenadora pedagógica lá do ginásio, chamando a minha mãe "pra dar explicações". Criança hoje em dia sofre que é uma tristeza! Fecho parênteses.

Mas um dia isso tudo acabou. Eu tinha que completar um álbum pra mostrar pra minha mãe que eu era capaz. E assim foi com o da Copa de 90: meu último e vingador álbum de figurinhas. Depois de muita luta, muito bafo, conchavos com o meu pai e troca com os amigos, consegui completar o meu álbum. Lembro até hoje a última figurinha que me faltava: era o lazarento do goleiro da Argentina (só podia ser) o Pumpido, que na Copa inclusive quebrou a perna e, de quebra, quase quebrou o meu álbum. Ainda o tenho, completinho guardado com muito esmero.... tá naquela caixa NÉ MÃE?

O meu álbum hoje já está nos finalmente e, pra completar o Brasil, só falta o André Santos que, além de não ir pra Copa, tá empatando meu álbum. Alguém tem ele ai?

Lembram desse?

OBS: Mãe, eu te perdoou viu... mas a conta do analista é sua! heheheh

terça-feira, 11 de maio de 2010

SELEÇÃO DE REPARTIÇÃO

Apesar de ser um servidor público e ter orgulho disso, permitam-me fazer uma comparação da seleção do Dunga com uma repartição pública... aquela do senso comum. O escrete selecionado é uma típica seleção de repartição. Observem:

Uma boa repartição pública você tem ali o bom carimbador de declaração. Acerta uma carimbada como ninguém... com velocidade e ritmo satisfatório. Tem também o atendente, ora educado, ora mal humorado mas sempre ali, fazendo o seu com certa destreza. Lá atrás, numa salinha a parte, é o local do chefe de repartição. Geralmente o chefe de repartição é aquele sujeito com seus 30 anos de casa, que já foi muito bom, mas que hoje faz o seu feijão com arroz de 8 às 12 e das 14 às 18, ocupando o cargo muito mais por antiguidade do que por talento mesmo. Ele já teve mais gás sabe, mas há uns 5 anos vem trabalhando no automático...saca?

O problema é quando o sistema cai. Ai meu amigo....fudeu! A fila aumenta, começa um burburinho, ao longe já se ouve um "Isso é um absurdo!" e o atendente com aquela resposta pronta: "O sistema está for a do ar". O chefe não foi capacitado durante esse tempo todo, não entende de sistema nenhum já que ainda usa sua Olivetti "último tipo" e avisa: "Já liguei pro técnico. Ele tá almoçando agora, mas ficou de vir logo, logo." Como o cara tava demorando demais, ele chama Olavinho que entende um pouco de informática, é bem esforçado mas não é sempre que ele acerta. Quando acerta vira rei, quando não acerta... é da vida né. Mas o carimbador, o atendente e o chefe não tem culpa.... eles não entendem de sistema e nem são pagos pra isso.

A convocação do Dunga se assemelha a essa repartição. É uma boa seleção e só. Ela te desperta o mesmo tesão de quando você vai enfrentar uma fila no DETRAN pra renovar a carteira. São 23 jogadores esforçados, de talento mediando comprovado e cada um na sua parte que lhe cabe são bons e fatalmente vão fazer um bom trabalho. Mas bom trabalho não necessariamente ganha Copa. O Kaká me parece que é colocado como a única esperança. Uma sobre-carga enorme encima de um mesmo jogador que vem jogando mal. Ele é o chefe da repartição. Se ele não jogar bem, um abraço. Quem sabe se torne uma espécie de Raí da Copa de 94. Já o Robinho é nosso Olavinho: às vezes cai como uma luva mas tem vezes que faz "papel de Denilson": muita firula pra nada. Ai meu amigo, vai chamar quem quando o sistema cair? Sabe aquele jogo zero a zero, onde ninguém consegue sair da marcação, encardido, com o meio de campo apagado e, num contraataque leva um gol aos 15 do segundo tempo e, se não revidar até os 30, os últimos 15 vai ser um Deus nos acuda? Vai colocar quem? O Júlio Baptista é a solução? Elano talvez?

Entre os nomes do nosso time, não há um coringa, um "estagiário" atrevido que se mete no atendimento, ajuda o carimbador, ensina o chefe a ligar o computador e ainda troca aquela lâmpada que tá queimada desde o ultimo apagão. É uma seleção sem tempero, com a cara do Dunga. Ainda mais fraca que a seleção de 94. O nosso comandante acaba de instituir o coorporativismo de Seleção. Tem até gente melhor, mas o pacto não era com eles... fazer o que? O grupo tá fechado (fechadissimo!), todo mundo é amigo do chefe e que bom que ninguém tem uma noiva louca de fazer chorar.

Por ser esforçado, pode até ser campeão... mas tu vai sofrer pacas e reza (reza muito!) pro sistema não cair. O Olavinho pode não dar conta...


sábado, 8 de maio de 2010

DÁ LICENÇA MERMÃO!

Queria apresentar pra vocês um texto de um colega Analista Ambiental do IBAMA que trás um outro olhar necessário sobre o licenciamento ambiental (esse famigerado!) que ora sim ora também é colocado como um dos empecilhos para o "crescimento" do Brasil e, obviamente, está longe dos olhos da grande mídia.

Hoje, os integrantes da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (seja lá o que isso for) do qual tenho orgulho de pertencer completa um mês de greve em busca de uma carreira que reflita dignamente os desafios que nosso trabalho impõem. Enfim, sem maiores panfletagens, segue o texto.
Dá licença, mermão!'
Publicada em 30/04/2010 às 12h53m

Artigo de Cristiano Vilardo Nunes Guimarães

Hoje em dia falar mal do licenciamento ambiental é mais comum que enchente no Rio de Janeiro. Diz-se que é um entrave ao progresso, um ninho de ambientalistas radicais, trincheira dos "salvem-as-baleias",enfim: é o supra-sumo da burocracia brasileira. Eita cartório difícil esse do IBAMA!

No entanto, é preciso colocar alguns pingos nos is de "licenciamento". Para início de conversa, ao contrário de outros licenciamentos corriqueiros na nossa vida, o licenciamento ambiental não é um ato cartorial, de simples conferência de documentação. Na realidade, o licenciamento ambiental foi a forma encontrada no Brasil para implementar a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) quando esta se difundiu pelo mundo ao longo da década de 1970.

Hoje, a Avaliação de Impacto Ambiental é adotada formalmente em mais de uma centena de países, incluindo todas as economias desenvolvidas e a grande maioria dos países "em desenvolvimento". Muito além de uma burocracia, o papel da AIA é o de garantir a adequada consideração da variável ambiental nas propostas de desenvolvimento, evitando que decisões sejam tomadas sem o dimensionamento das suas consequências ambientais. O seu principal instrumento é o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) que, muito mais do que uma exigência do órgão licenciador, deveria ser um instrumento de auxílio ao planejamento de projetos mais amigáveis ao meio ambiente, identificando e avaliando os impactos e riscos do empreendimento e propondo as medidas de gestão ambiental a serem adotadas para minimizar os prejuízos ambientais.

Acontece que, infelizmente, essa perspectiva cartorial - do "tirar a licença" - é a que predomina entre o empresariado nacional e obviamente encontra bastante eco na cobertura da imprensa sobre o licenciamento ambiental. Os estudos ambientais muitas vezes são colagens de outros anteriores, realizadas por uma consultora sem possibilidade alguma de interferência no projeto, a qual foi escolhida porque ofereceu ao contratante o menor preço...

Voltando aos pingos no "is", vamos pensar o que é um licenciamento ambiental "bom"? Em uma primeira tentativa de aproximação, alguém poderia dizer que é aquele onde a avaliação dos impactos e riscos ambientais de determinado empreendimento pôde ser realizada na profundidade adequada, permitindo a proposição de mecanismos adequados de mitigação, compensação e monitoramento, e utilizando para isso o menor tempo possível ao menor custo global possível. Colou? Muito bem, agora, como se operacionaliza isso?

Não parece muito difícil... E se colocássemos profissionais qualificados, em quantidade suficiente, para analisar esses estudos? Hummm... E se esses profissionais, além de bem formados, fossem capacitados para avaliar os impactos de diferentes empreendimentos? Além disso, e se esse pessoal fosse adquirindo cada vez mais experiência no licenciamento, ganhando confiança para propor soluções mais eficientes e eficazes?

Pois então. Parece simples, não? Mas esqueceram de um detalhe: para isso dar certo, esse pessoal precisa querer trabalhar com licenciamento! E esse pessoal só vai querer trabalhar com licenciamento na medida em que esse trabalho for valorizado de acordo com a importância e responsabilidade nele embutidas! A vida como ela é: no concurso de 2002, o primeiro da história do IBAMA, entraram cerca de 60 analistas de nível superior para trabalhar na Diretoria de Licenciamento Ambiental, em Brasília. Em sua maioria, profissionais qualificados, muitos com mestrado ou doutorado, que vieram para a sede do IBAMA vindos de diversas partes do Brasil. Sabem quantos destes analistas trabalham hoje na DILIC? Apenas um. Definitivamente, analista experiente no licenciamento é espécie em extinção.

A razão da evasão? Óbvia. A clara incompatibilidade entre a responsabilidade envolvida no processo de licenciamento ambiental e a desvalorização do servidor público dedicado a essa função. Por desvalorização englobamos uma série de questões que passam pelas condições adequadas de trabalho (computadores, capacitação, espaço de trabalho, bancos de dados, suporte jurídico etc.) e chegam, inexoravelmente, à questão salarial.

O analista ambiental, não só do IBAMA, mas também do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente, hoje está submetido a uma proto-carreira na qual o patamar salarial do nível mais alto disponível (final de carreira) é inferior ao nível salarial de entrada da carreira de Especialista em Recursos Hídricos/Geoprocessamento da Agência Nacional de Águas, também vinculada ao MMA e com atribuições muito similares de regulação, controle, fiscalização e inspeção. E durma-se com um barulho desses...

Por conta dessa desvalorização, o trabalho no licenciamento ambiental no IBAMA tem se tornado um paradeiro temporário para o analista ambiental, mero compasso de espera enquanto se prepara para uma outra oportunidade que ofereça melhores condições de trabalho e de salário. Nesse cenário tenebroso, o tempo médio de permanência do profissional na Diretoria de Licenciamento Ambiental é de apenas 18 meses. Ora bolas! Como desenvolver excelência técnica, aprimorar e padronizar procedimentos, melhorar termos de referência com uma rotatividade dessas?

E é nesse contexto que chega o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com diversos projetos de infraestrutura pelo Brasil adentro, demandando licenciamentos em prazos exíguos e jogando faísca nesse barril de pólvora que é o licenciamento ambiental federal. Não dá para dar certo. Qual a solução? Fortalecimento e valorização do licenciamento ambiental, para alcançar maior eficiência e eficácia no processo? Ilusão...

O que se viu nos últimos anos foi uma sucessão de "Destrava IBAMA", "Agiliza IBAMA", "Desocupa-a-moita IBAMA": pseudo-pacotes de medidas com finalidade puramente midiática e de nenhuma repercussão prática no dia a dia do licenciamento ambiental. Que, por sinal, continua sem implementar seu sistema informatizado de licenciamento - o SISLIC -, que já foi "lançado" oficialmente por uns 2 ou 3 presidentes do IBAMA e permanece empacado, sem uso.

São sintomas de que a própria política ambiental conduzida pelo governo encara o licenciamento numa perspectiva cartorial, de "carimbador-maluco". Aliás, instituiu-se no IBAMA o rodízio de diretores de Licenciamento: é um a cada hidrelétrica polêmica. Acabou seu turno, muito obrigado, próximo da fila!

Em síntese: quer licenciamento ambiental ágil e eficaz? Valorize o analista ambiental. Dê-lhe um salário compatível com o desafio de uma regulação de excelência. Forneça capacitação continuada e estimule o aprofundamento dos estudos em pós-graduação. Disponibilize modernos recursos de sistemas de informação para otimizar seu trabalho. Mantenha o profissional por um longo tempo na casa para que seu aprendizado seja incorporado pela instituição. Sem isso, dá licença, "mermão"!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

QUEM CUIDARÁ DOS CARDIOGLIFOS?

Em tempos de vacas magras no Picaretas, permitam-me requentar...



Meus caros e caras, depois de algumas longas linhas versando sobre Brasil, mundo, dores e amores, hoje volto a falar do meu Estado querido. Afinal de contas, enquanto o beijo durar, o tempo curar e a alma existir, todos os amores serão possíveis... e falíveis.

Mas como ia dizendo, discorrerei hoje sobre o Acre e suas curiosidades antropológicas. Isso mesmo, o Acre é um estado arqueológico. Imaginem vocês que com o avanço do desmatamento na fronteira entre o Estado do Acre, Rondônia e Amazonas a partir da década de 70, começaram a aparecer formas geométricas, como quadrados, hexágonos, círculos e losangos cravados na terra. Já tive até o prazer de fotografar um em um sobrevôo. Segundo alguns antropólogos os primeiros indícios mostram que são estruturas de terra formadas por ancestrais indígenas que habitaram a Amazônia até o século XII depois de Cristo. São chamados de geoglifos. Não se sabe exatamente para que serviam essas estruturas, mas imaginam que poderiam estar ligadas a sistemas agrícolas, cultos religiosos ou até de defesa. Mas com certeza, essas descobertas colocam alguns pontos que andei pensando cá com meus botões (como andam me ouvindo!) que dizem muito da natureza humana e das questões que a História esqueceu.

O primeiro ponto mostra que os nossos arborícolas eram muito mais avançados do que imaginávamos. Até agora, na América do Sul, as sociedades que se destacaram no passado são as sociedades que se desenvolveram nas Cordilheira dos Andes (os Incas, por exemplo). Essas descobertas, mostram que os antigos moradores de onde hoje costumamos chamar de Amazônia, eram muito mais do que simples coletores de frutos e folhas. Os geoglifos encontrados mostram uma inteligência e uma técnica mais apurada do que acreditávamos.

O segundo devaneio que venho matutando é em cima de uma tese do professor Carlos Walter que afirma que a floresta amazônica que conhecemos hoje, com grandes florestas e a maior megabiodiversidade do mundo, é fruto também da presença humana. Estudos mostram que o homem já povoava essas bandas quando essas bandas eram apenas savanas, ou seja, com uma vegetação incipiente e “rala”, justamente na época de construção desses geoglifos. Ou seja, a floresta como conhecemos hoje é fruto também da presença humana.... homens e mulheres estavam presentes enquanto a maior riqueza biológica do planeta se formava. Ou seja mais ainda, a Amazônia é um pomar humano (ai como sou exagerado!). Tanto que o professor Carlos costuma chamar essa mata toda de Floresta Equatorial Ombrófila e Cultural Amazônica. A verdade é que o homem nem sempre foi nocivo a floresta e a Amazônia é muito mais do que “apenas” a maior riqueza biológica do planeta. Ela também é uma floresta de gente.

A outra questão que me passa é mais filosófica (filosofia de botequim, que fique claro) e foi pensada bebendo cerveja.

Abro parênteses: vocês já perceberam que a cerveja nos redime de tudo? Irei expor uma bobagem a seguir, mas como já disse que estava bebendo, eu to perdoado. Né não? Se eu falar algo brilhante, sou um gênio. Se for uma asneira completa, vai ter sempre um que lembrará “mas ele tava bêbado né, vamos dar um desconto”. Aproveito o ensejo, pra revelar que só escrevo bebendo, ou seja, me dêem SEMPRE um desconto. Fecha parênteses.

A história da humanidade com o planeta é uma eterna construção e desconstrução. Cada geração de novos homens e novas mulheres deixam suas marcas. Constantemente grafamos e re-grafamos a terra apagando e deixando cicatrizes para o futuro. E essa será nossa eterna busca em entender o passado e sua importância, em estudos que podem durar mais de uma geração de pesquisadores. Mas o que me intriga mais são as histórias e estórias que a História não conta. Nem tudo que se “veve” na vida é grafado na terra e deixa rastros pro futuro. São histórias pessoais de homens e mulheres que morrem juntos com suas vidas e seus corações. Afinal, meu caros e caras, quem cuidarão dos cardioglifos? Quem se debruçara sobre as histórias dos sentimentos. Onde estarão as histórias dos amores mal curados, dos prazeres sentidos, da gargalhada gostosa, da inveja humana, dos carinhos consentidos e do afeto primordial. Onde estão registrados os amores e desilusões de Joana D’arc? A quem interessaria as histórias das pessoas? Pra Jorge Amado o que era mais importante: ter escrito Capitães de Areia ou o seu amor por Zélia Gattai? A história nos rodeia de conquistas épicas, sucessos estrondosos, fracassos retumbantes, mas não nos mostra o que passava no coração do Napoleão. Longe de mim essa soberba, mas quem se importará pelas histórias que escrevo? Por que o que fica para o depois é o diploma, os artigos científicos, o mestrado, o doutorado, o seu trabalho do dia-dia registrado e grafado nos anais burocráticos da nossa sociedade de feitos? Quem será o desocupado que irá pegar o que escrevo no futuro e contar as histórias que me faziam rir, chorar, lembrar, amar e doer? A quem interessa o que vivemos ou deixamos de viver? Quem se importa com as suas amarguras, suas piadas, sua história de vida pessoal? Afinal de contas, venha cá Poetinha, quem pagarão o enterro e as flores se eu me morrer de amores?

(publicado originalmente em 07 de fevereiro de 2008 no Diário de um Acreano - www.diariodeumacreano.zip.net)

sábado, 24 de abril de 2010

ENGANO

VERDADES DEFINITIVAS DE UM TEMPO TRANSITÓRIO XIX

Em tempos de "subliminaridade descarada", não custa nada lembrar...

"Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade, é porque nunca pensou em nada." Millôr Fernandes

quarta-feira, 21 de abril de 2010

SUBLIMINAR OU DESCARADO MESMO?



Vocês viram isso? A mensagem de 45 anos que a Globo fez comemorando seu aniversário com o jargão (mais, mais, mais) e a mesma fonte ao escrever 45 do candidato Serra 45. Obviamente que de tão descarado, a Globo foi obrigada a tirar a vinheta do ar.
É meus amigos, as cartas estão sendo dadas, os lados já estão mais visíveis e alguém tem dúvida do que ainda virá por ai?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

TILÓPTIUM YEAH! YEAH! YEAH!

Eu duvido que você saiba, de cabo a rabo, a letra das músicas que você costuma cantarolar. Duvi-de-o-dó! E aposto também que muitas vezes você não entende a letra de muitas músicas que tá cantando e joga algum remendo de palavras que nada tem a ver com a canção, mas que tem uma sonoridade parecida.... né não?

Talvez você não saiba, mas o que estás cometendo é um virundum. Virun... o que Felipe? Isso mesmo! O virundum é quando a pessoa troca alguma parte de uma música por palavras que se parecem mas que não tem nada haver com o contexto e então fica aquela coisa meio estranha e engraçada. O nome virundum vem do nosso Hino Nacional... ou vocês nunca viram alguém cantar o "Ouviram do Ipiranga" trocando por "O virundum piranga"

Tem até quem se dedica em colecionar virunduns vejam vocês. Vou listar abaixo alguns exemplos enquanto nos divertimos. Assim nós matamos dois coelhos com "uma caixa d'água só".

Quando Adoniran cantava...
"Saudosa maloca, maloca querida Dim dim donde nóis passemo os dias feliz de nossa vida"
O mineirim tavam mais preocupado com o tempo...
"Saudosa maloca, maloca querida 'tempim bom qui' nóis passemo os dias feliz de nossa vida"

Já o Cidade Negra cantava desse jeito:
"Você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir"
Já um tarado ouviu assim...
"Você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui. 'Perfurei minhas virilhas' antes de dormir"

E a Elis que cantava lindamente Como nossos pais...
"Mas é você que ama o passado e que não vê..."
Mas eu e você (pode admitir!) cantávamos assim...
"Mas é você 'que é mal passado' e que não vê..."

E no samba temos também exemplos, como o do Salgueiro de 1993
"Oi, no balanço das ondas, eu vou / No mar eu jogo a saudade, amor / O tempo traz esperança e ansiedade / Vou navegando em busca da felicidade"
Já a viúva do milico...
“Oi, no balanço das ondas, eu vou/ ´O Marechal da Saudade’, amor...”

E na roda de violão o violeiro cantava
"... Na madrugada a vitrola, rolando um blues / Tocando B. B. King sem parar."
E você querendo comer a menininha do lado, já logo pensava
"... ‘trocando de bikini’ sem parar..."

E a Ivete Sangalo saia pulando (ops!) cantando:
”A minha sorte grande foi você cair do céu”
E eu que saio do chão mesmo, entendi literalmente...
“A ‘meia saltitante’ fez você cair do céu”

O Rappa com suas músicas politicamente engajadas dizia assim:
”A minha alma tá armada e apontada/ Para cara do sossego! / (Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!) / Pois paz sem voz, paz sem voz / Não é paz, é medo!”
Mas suspeito que meus pais e meus avós não tem nada a ver com isso...
“A minha ‘arma’ tá armada e apontada/ Para cara do ‘suspeito’! ’(Peito! Peito! Peito! Peito!) ‘Pois pais sem vós, pais sem vós Não é paz, suspeito!

O Djavan é o rei do Virundum. Eu tenho uma teoria que ele constrói suas músicas encima de virunduns, só pode ser. Vejam o exemplo abaixo:
“Açaí, guardiã, zum de besouro um imã / Branca é a tez da manhã”
E se tudo é um virundum, me perdoem porque sempre cantei assim...
“Açaí, guardiã, zum de besouro um imã / ’Talvez às dez da manhã’ ”

E o pagodão! Não pode faltar...
“Lá vem o negão, cheio de paixão, te cata, te cata, te cata... querendo pegar todas menininhas, nem coroa ele perdoa não..."
Ai o negão veio...
“Lá vem o negão, cheio de paixão, te cata, te cata, te cata... querendo pegar todas menininhas, ´demorô ele pegou o anão´”...
Ah! Ah! Ah! Essa é muito boa!

E pra você que não entendeu o título da postagem, eu chamo os Beatles pra te explicar...
She loves you Yeah! Yeah! Yeah!
She loves you Yeah! Yeah! Yeah!
Há quem cantava:
Tilóptium Yeah! Yeah! Yeah!
Tilóptium Yeah! Yeah! Yeah!

Isso é muito bom! SENSACIONAL!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

COM AÇÚCAR, COM AFETO



Pra desgosto do Fidel, eu me lembrei que antes da nossa "amnésia coletiva" eu estava resgatando as músicas do Chico e contando um pouco de sua história. E pra retomar relembro a vocês de Com açúcar, com afeto do segundo disco de Chico em 1967, chamado de volume 2. Nessa música é primeira vez que ele canta no feminino, a partir de um pedido da Nara Leão que, segundo ele, gostava de cantar músicas "onde a mulher fica em casa chorosa, e o marido na rua, farreando." Hoje o que parece normal ele cantando no feminino, naquela época era inconcebível um homem cantando como se fosse a mulher. Por isso mesmo, para que a música pudesse entrar no disco, teve que convocar a cantora Jane que, com seus irmãos formavam os Três Morais e que participaram da música Noite dos Mascarados do mesmo disco. A música é deliciosa e ainda hoje atual, retratando a vida de muitas relações amorosas até hoje.

Com açúcar, com afeto
Chico Buarque, 1967

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê!
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê!
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê!
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CORDEL DA CIDADE ENCHARCADA



O Rio de Janeiro
É a cidade maravilhosa
Mas quando a chuva cai
Não há alguém que possa
A cidade fica alagada
- Essa ocupação é uma joça

Os morros da cidade
São ocupados sem sermão
Seja rico, seja pobre
Ninguém liga pra isso não
Rico sobe pela vista
Pobre sobe por exclusão

E no asfalto meu amigo
A água não tem escolha
Isso parece uma bacia
- Nesse ralo tem uma rolha
Famílias perdem suas casas
Não tem abrigo que acolha

Mas a chuva veio forte
Choveu mais que um baldão
Não chovia desse jeito
Fazia já um tempão
Mas isso não é desculpa
- Tem culpa nesse pirão

A ladainha é sempre a mesma
Logo vão pra televisão
- Eu faço isso, eu faço aquilo
- Isso não é da minha gestão
- Tá faltando boa vontade
- A culpa é do Dom João!

Mas o povo também não ajuda
Usa a rua como lixão
A culpa é de todo mundo
Vamos buscar a solução
Quem sabe agora em outubro
Alguém acredita em eleição?

domingo, 4 de abril de 2010

A MERDA É A MESMA, SÓ MUDAM AS MOSCAS


A vá! Você já viu essa novela antes... não adianta negar! Lembram das bombas químicas do Saddam que a C.I.A inventou que tinha no Iraque? E que por causa dessa "mentirinha", justificou invadir o país do Oriente Médio e degolar o Saddam? Pois bem, e não é que já vai rolar um Vale a Pena Ver de Novo.

Agora o mote é o Irã e o Taleban. Neste feriado pude ver a noticia na net mostrando que começam a preparar "o clima". A notícia diz que segundo "uma nova agência de inteligência militar dos EUA" (A C.I.A tá queimada, vamu combinar!), o Irã estaria fornecendo armas e treinando homens para a milícia Taleban com o intuito de resistir a ocupação da OTAN no Afeganistão. Pronto, tá armado o circo.

Mas a realidade (ah essa danada!) diz que o Irã xiita não se bate com o Taleban sunita e que a informação é carregada de senões. Mas como a verdade é uma bobagem, as mentiras são bem mais emocionantes ($$$) e nós ocidentais achamos que "da Europa prá lá é tudo China", qualquer historinha pega né não?.

Pois é meus amigos, esse é mais um capítulo da eterna política dos EUA de ditador-de-país-que-tem-petróleo-é-bom-...-se-tiver-do-nosso-lado-é-claro. Se eu sou o Ahmadinejad, eu trato de aprender enriquecer urânio logo que pelo jeito o Presidente Nobel da Paz tá pra guerra.

Como já dizia um amigo: a merda é a mesma, só mudam as moscas.

"A VOI LA BUONA PASCUA!!"


E do alto de meu ateísmo, deixo à vocês uma arrebatadora procissão de páscoa... A ópera é “Cavalleria Rusticana”, que traz na santa celebração um de seus elementos centrais. Sicília... Pedaço de terra encerrado em sua própria natureza arcaica e selvagem, eleva sua condição de ilha ao limite extremo de suas possibilidades. Bárbara sob qualquer olhar, costuma ser fatal à quem a desafia. A Sicília de “Cavalleria Rusticana”, do imaginário de todos que já se deixaram viajar em sonhos por aquelas paragens... Bruta em sua intangível ordem secular, tem no choque entre o beato e o mundano sua força maior. O renascimento em Cristo emoldurando a tragédia desenhada, anunciada pela ancestral “vendetta” siciliana. A pequenez humana visceralmente confrontada com a grandeza da ressurreição do Deus-Homem, expressa na dor e despeito da mulher abandonada por seu frívolo amado. “A Te La Mala Pascua!”, diz o ameaçador e desesperado grito de Santuzza, antecipando o inexorável destino que veste de morte o resto de vida que sobra, então, à Turiddu.

Morte-Renascimento-Morte. A dramática tríade que cerca e implacavelmente entrelaça duas cenas tão diferentes quanto belas. Uma das mais célebres óperas entre todas já feitas. Poderoso signo da essência mais profunda desta pequena porção de mundo, não por acaso utilizado como pano de fundo para a seqüência de quase 20 minutos que encerra a trilogia “O Poderoso Chefão”, outra furiosa ode à Sicília primal...

Meu título é apenas uma pequena subversão para acarinhar vocês, Picaretas do meu coração...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

VERDADES DEFINITIVAS DE UM TEMPO TRANSITÓRIO XVIII

"Visitei Xapuri, cidade em que nasci. Reencontrei, confluentes, em doce comunhão, os rios Acre e Xapuri, cúmplices ambos de um remoto devaneio que os anos acabam de me trazer de volta, íntegros. Águas silenciosas que nunca choraram por mim. Nelas, nada mudou. A fluidez é a mesma; mesmo é o remanso, em cujo vagaroso rodeio, até hoje, voltejam as minhas essências. Louvado seja 2003, o ano que me devolveu a minha infância."

Armando Nogueira, jornalista acreano em visita ao Acre em 2003. Dos que já li, é dos poucos que sempre me emocionou.